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Os 14 novos restaurantes do Porto que merecem uma visita

Comer e beber

Da cozinha de autor aos sabores do mundo, do receituário tradicional português às ementas que vivem ao ritmo das estações do ano – eis os 14 novos restaurantes no Porto que merecem uma visita, entre os muitos que inauguraram nos últimos meses

Florbela Alves, Joana Loureiro e Miguel Carvalho

Lombo de javali, beterraba e sumaca, um dos pratos na carta do Elemento

Lombo de javali, beterraba e sumaca, um dos pratos na carta do Elemento

D.R.

1. Elemento: No primeiro restaurante de firedining em Portugal, o fogo comanda todas as operações

Das entradas às sobremesas, todos os pratos do Elemento passam pelo fogo. Cozinhados no forno a lenha (de diferentes tipos: carvalho, laranjeira, macieira, oliveira...), no grelhador especial desenhado para o restaurante, ou fumados na zona de brasas, os alimentos ganham um sabor apuradíssimo. A nova abordagem gastronómica adotada por Ricardo Dias Ferreira, o firedining concept, mistura técnicas ancestrais com outras mais contemporâneas. O chefe de cozinha, distinguido na Austrália durante os sete anos em que lá trabalhou (esteve, por exemplo, à frente dos restaurantes da prestigiada cadeia Shangri-La, em Sydney), quis trazer para Portugal essas influências gastronómicas multiculturais. Felizmente, os mal-entendidos logo após a abertura, em fevereiro passado, foram ultrapassados (muitos confundiram o restaurante com uma steak house) e os clientes estão predispostos a embarcar numa experiência completamente distinta. A carta acompanha os produtos da época e, por esta altura, apresenta sugestões como cavala curada em citrinos, molho de salsa e escabeche (€7) e rodovalho com molho de feijão e verduras da época (€21). Há ainda um menu de degustação, no qual constam pratos como peixe escolar, caldo de marisco e coentros, e lombo de veado, beterraba e verduras. A decoração, simples, remete para os elementos da Natureza, com o granito e a madeira em destaque. R. do Almada, 51, Porto > T. 22 492 8193 > ter-sáb 19h-23h, sex-sáb 13h-15h > menu de degustação €55

João Lima, o chefe de cozinha do Artesão Bistrô  

João Lima, o chefe de cozinha do Artesão Bistrô  

Lucilia Monteiro

2. Artesão Bistrô: Técnicas modernas e apresentação cuidada ao serviço da gastronomia tradicional portuguesa

Este é o projeto mais ambicioso de João Lima, assente nos saberes e sabores da cozinha tradicional portuguesa recriados pelo chefe de cozinha. Do seu percurso profissional é de assinalar a passagem pelo restaurante Fortaleza do Guincho, sob a liderança de Vincent Farges. Com ele aprendeu a dominar as técnicas da alta-cozinha francesa, agora aplicadas nesta versão moderna da nossa gastronomia. No Artesão Bistrô, aberto em fevereiro numa antiga oficina (passado homenageado na decoração, repleta de utensílios e ferramentas), recorre apenas a produtos de alta qualidade para a confeção de pratos, como o bacalhau, migas e tomate (€12), a vitela mirandesa, espargos verdes e cogumelos (€13) ou o cabrito transmontano, favas e cenoura (€14), ideais para partilha. Além do serviço à carta, o Artesão tem dois menus de degustação, com quatro e cinco momentos à escolha. R. Mouzinho da Silveira, 218, Porto > T. 91 375 3002 > ter-dom 12h-15h, 19h-23h > menus de degustação €40 e €50

A decoração do Capim Dourado, restaurante de cozinha de autor brasileiro, está decorado com peças feitas de capim: a palha que se colhe no estado de Tocatins no Brasil

A decoração do Capim Dourado, restaurante de cozinha de autor brasileiro, está decorado com peças feitas de capim: a palha que se colhe no estado de Tocatins no Brasil

Lucilia Monteiro

3. Capim Dourado: Comida brasileira de raiz

Quem disse que a cozinha brasileira se resume a arroz com feijão e picanha? Foi para desmistificar esta ideia, e dar a provar “a verdadeira comida da avó”, que o chefe de cozinha português João Winck abriu o Capim Dourado com a mulher, a brasileira nordestina Ângela Moraes. O nome – capim – vem de uma palha que se colhe na região do Jalapão, no estado de Tocantins, presente também na decoração, a levar-nos para a floresta da Amazónia. Provem-se dadinhos de tapioca com geleia picante de maracujá (€6), vaca atolada (costela bovina coberta com creme de mandioca e farofa de banana e bacon, €29/2 pessoas), carpaccio de carne de sol (€9), peixada em leite de coco com arroz de pimentos e farofa de milho (€13) e a moqueca de maracujá com arroz de castanha-do-Pará (€29/2 pessoas). Caipirinhas, cachaças e sumos de frutos tropicais acompanham a refeição na sala ou na convidativa esplanada. R. de Cedofeita, 322, Porto > T. 91 550 0081 > qua-qui 12h30-15h, 19h30-23h, sex 12h30-15h, 19h30-24h, sáb 13h-16h, 19h30-24h, dom 13h-16h, 19h30-23h

O Vila Foz é o novo restaurante de fine dining de Arnaldo Azevedo

O Vila Foz é o novo restaurante de fine dining de Arnaldo Azevedo

D.R.

4. Vila Foz: Peixe e marisco no novo restaurante de cozinha de autor do chefe Arnaldo Azevedo

Talvez seja desta que Arnaldo Azevedo (nos últimos sete anos, à frente do restaurante Palco) consiga uma Estrela Michelin. Pelo menos, é essa a sua expectativa, confessa, já que a ementa que desenhou para o Vila Foz – restaurante de fine dining do hotel com o mesmo nome, na Foz – poderá levá-lo mais longe. Dedicada ao peixe e ao marisco – tem apenas dois pratos de carne (pombo e vaca maturada, cada €40) –, a carta acompanha a sazonalidade dos produtos: robalo com favas e moleja de vitela (€37), lavagante com salsifis e legumes da estação (€40), e ainda os já conhecidos lagostim, foie gras e morilles (€30) e ravioli de beterraba, couve fermentada e molho funcho (€18). Na sala, decorada por Nini Andrade Silva, há ainda dois lugares reservados para quem queira ver o chefe a cozinhar (€200/pessoa). Arnaldo Azevedo é também responsável pelo Flor de Lis, o restaurante mais informal do hotel de cinco estrelas, onde serve peixe do mercado com açorda de ovas (€17) e pá de borrego assada no forno com batata a murro e grelos (€38), uma cozinha que lhe faz lembrar a infância, revela. Vila Foz Hotel & Spa > Av. Montevideu, 236, Porto > T. 22 244 9700 > ter-sáb 19h30-22h30

Os pratos da cozinha portuguesa continuam a ocupar a carta do recém-reaberto Rogério do Redondo

Os pratos da cozinha portuguesa continuam a ocupar a carta do recém-reaberto Rogério do Redondo

Lucilia Monteiro

5. A segunda vida do familiar restaurante portuense, resgatado à memória

Foram precisos quatro anos de silêncio para que Rogério Sá voltasse a pôr a boca no trombone e anunciasse o que um cortejo de portuenses há muito reclamava: a reabertura e o rejuvenescimento, em grande, mas sem artifícios, do afamado restaurante Rogério do Redondo. Era ponto de honra para o homem do leme, entretanto regressado de Angola, que, com ele, voltassem as alquimias típicas de mãos e fogões antigos e o apelo à memória gustativa, que deve muito a lumes e eflúvios a partir dos cozinhados de gentes sabedoras. Se a isso juntarmos o conta-quilómetros sem parança pelo País à cata de especialidades e sabores de lamber os beiços, está o pote encontrado.
Situado numa zona do Porto que ainda deve mais ao povo do que ao postal turístico, a “casa” orgulha-se de manter laços com o quotidiano da vizinhança. A ementa garante bacalhau à facho (às segundas), chispe com feijão vermelho (terças), tripas à moda do Porto (quintas), bolinhos de bacalhau com arroz de bacalhau e ovos estrelados ou cozido à portuguesa (sextas), e tripas e cabrito (sábados). “E não diga que vai daqui”, diria o outro. No caso, é mesmo para dizer. E trazer um amigo também. R. Joaquim António de Aguiar, 19 > T. 91 803 3067 > ter-sáb 12h-15h, 20h-22h30, dom 12h-15h

O piso térreo do novo Torel 1884 inclui um bistrô, aberto ao público, com uma carta de vinhos e petiscos

O piso térreo do novo Torel 1884 inclui um bistrô, aberto ao público, com uma carta de vinhos e petiscos

Luís Ferraz

6. Bartolomeu Bistrô: Cozinha de influência francesa para saborear com um copo de vinho

Com o novo Torel 1884 Suites & Apartments veio um bistrô, com garrafeira e wine bar incluídos, aberto à cidade. No piso térreo, decorado pela Nano Design, com inspiração em África, a olhar as grandes janelas viradas para a rua, servem-se petiscos e pratos de influência francesa, para saborear a qualquer hora, com um copo de vinho (a partir €3) – à exceção do champanhe, a garrafeira só tem vinhos portugueses. Prove-se o paté campagne, uma mistura de carnes de porco com alperce, passas, rúcula e mostarda Dijon (€6); a pissaladière (€6), tarte da região de Nice, no Sul de França, numa versão vegetariana; os crepes de alfarroba ou a salada de cogumelos, cevada e espinafres (€7). Já a sopa à lavrador (€3,50), os enchidos, os queijos e o pão (alentejano e de Mafra) levam Portugal à mesa. Torel 1884 Suites & Apartments > R. Mouzinho da Silveira, 228, Porto > T. 22 600 1783 > seg-dom 12h30-24h

E ainda:

7. Viêt View
Primeiro restaurante vietnamita do Porto, serve autêntica comida de rua, colorida e com muitos vegetais, como pho (caldo de carne), rolinhos de camarão, salada de massa vermicelli, entre outros pratos. R. de Cedofeita, 502, Porto > T. 96 410 9354 > seg-sáb 12h-15h, 19h-23h

8. Tasca Vasco
Cozinha portuguesa de tacho, com o carimbo do chefe Camilo Jaña, para petiscar a qualquer hora do dia. R. Sá de Noronha, 61, Porto > T. 22 203 3144 > dom-qua 12h-00h30, qui-sáb 12h-1h

9. Taqueria Ilegal
Na Rua da Picaria, o chefe João Pupo Lameiras criou uma carta de sabores mexicanos: tacos, quesadillas, enchiladas e tostadas, além de cocktails, como o Brown Bag. R. da Picaria, 84, Porto > T. 92 754 7453 > seg-qui 19h30-24h, sex 19h30-1h, sáb 12h30-15h, 19h30--1h, dom 12h30-15h, 19h30-24h

10. Namban Oporto Kitchen Café
A cozinha japonesa de Sako Arao e do portuense Miguel Cunha varia todos os dias mas, às terças, há sempre caril japonês. R. dos Bragas, 346, Porto > T. 91 595 6478 > ter-sex 9h-17h, sáb 10h-16h

11. Dominó Tasca Japonesa
Ao sushi, o restaurante de Ana Afonso junta uma carta de petiscos e oito originais cocktails, com um toque japonês. R. Dr. Francisco Sá Carneiro, 357, Leça da Palmeira, Matosinhos > T. 22 937 1520 > ter-qui 12h-15h, 19h30--23h, sex-sáb 12h-15h, 19h30-24h

12. Mizzica
Cozinha de sabores simples e genuínos da Sicília, com opções de comida de rua, como as panini, feitas na hora, o arancino, a calzone e o cannolo, para comer à mão. R. das Flores, 51, Porto > T. 93 499 5884 > seg--qui 12h-22h, sex-sáb e dom 12h-23h30

13. K.O.B.
Restaurante de carnes maturadas do chefe Olivier: dos bifes nacionais Black Angus às carnes da Irlanda, da Argentina e da Austrália, ao bife da vazia Wagyu do Japão. R. Conde de Vizela, 149, Porto > T. 91 828 0080 > seg-sex 12h30-15h, 19h30-24h, sáb-dom 19h30-24h

14. Viva Creative Kitchen
Nesta cozinha, não falta criatividade. Burrata injetada com redução de vinho do Porto e figos, salada de beterraba, salmão fumado, amêndoas torradas e molho de iogurte com endro e manjericão são alguns dos pratos, pensados para partilhar. Lg. de São Domingos, 33, Porto > T. 22 208 2126 > ter 18h-22h30, qua-dom 12h-15h, 18h-22h30