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The Fladgate Partnership: Grandes Vintage

Comer e beber

A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre seis vinhos do Porto Vintage do grupo The Fladgate Partnership, agora à prova em Lisboa, no Palacete Chafariz D'El Rei, onde a Taylor's abriu a sua sala de visitas

O Palacete do Chafariz d’El Rei, na zona ribeirinha de Alfama, foi recentemente adquirido pela Taylor’s para fazer dele a sua sala de visitas em Lisboa, com loja e sala de provas

O Palacete do Chafariz d’El Rei, na zona ribeirinha de Alfama, foi recentemente adquirido pela Taylor’s para fazer dele a sua sala de visitas em Lisboa, com loja e sala de provas

Richard Bowden

Neste “bater de tecla feito” que é o ofício de jornalista há momentos exaltantes, como os de receber e, depois, dar informação sobre grandes vinhos. Assim vão os momentos vividos nas últimas semanas com o lançamento dos Porto Vintage 2017, muitos dos quais se afiguram memoráveis. Alguns já foram aqui referidos e, desta vez, apresentam-se quatro Vintage clássicos de casas históricas do grupo The Fladgate Partnership – Taylor’s, Fonseca, Croft e Krohn –, e dois Vintage de vinhas velhas: Vargellas, da quinta com o mesmo nome, pertencente à Taylor’s, que vai na oitava edição; e Sērykos, da Quinta da Roêda, da Croft, em estreia absoluta. É de sublinhar que estas quatro empresas são das mais antigas e prestigiadas do vinho do Porto: a Taylor’s, que está na origem do grupo, vem de 1692; a Fonseca estabeleceu-se em 1815; as origens da Croft remontam a 1588; e a Krohn tem o seu registo de identidade datado de 1865.

Aguardava-se a declaração de Vintage 2017 com expectativa, pois sabia-se, por um lado, que a qualidade da colheita é de altíssimo nível, e, por outro, que nos últimos 100 anos, pelo menos, não há duas colheitas seguidas Vintage destas quatro empresas, talvez para acentuar o seu carácter excecional. Ora, tão excecional como a colheita de 2016 foi a de 2017, o que teria sido insuficiente para a declarar Vintage e quebrar a velha regra, não fora o caso do estilo dos vinhos ser muito diferente (apesar de vinificados da mesmíssima forma). A Natureza fez a diferença, determinando que ambas as colheitas fossem Vintage. Os vinhos vão chegar ao mercado a partir de meados do verão, eis a notícia. Além dos Vintage 2017, provaram-se: Taylor’s Quinta de Vargellas 1987, Fonseca Guimaraens 1987, Taylor’s 1997, Fonseca 1997, Croft Quinta da Roêda 1997, Taylor’s 2007, Fonseca 2007, Croft 2007 e Krohn 2007; e bebeu-se, à sobremesa, Fonseca 1927. Um luxo, que pode ser seu: o Palacete do Chafariz d’El Rei, na zona ribeirinha de Alfama, foi recentemente adquirido pela Taylor’s para fazer dele a sua sala de visitas em Lisboa.

Loja e sala de provas em Lisboa
O velho palacete, no número 8 da Rua Cais de Santarém, está num lugar privilegiado, com a varanda assente no chafariz, que terá sido o primeiro da cidade, e aberta para o Tejo. Tem agora uma loja, em baixo, e três salas de provas, no piso superior, onde é possível degustar 15 vinhos a copo, a partir de 5 euros (T. 21 886 3105, seg-dom 11h-19h30). Contam-se, entre estes, alguns ícones da casa, como o Taylor’s Vintage 1994 (€34) e o Taylor’s Quinta de Vargellas Vintage 2015 (€10), por exemplo. Quem quiser saber mais sobre a marca dispõe da prova Introdução à Taylor’s (€40), com cinco vinhos que representam o perfil da casa: Taylor’s Chip Dry, Taylor’s LBV, Taylor’s Tawny 20 anos, Taylor’s Quinta de Vargellas Vintage 2015 e Taylor’s Vintage 2009.

Além do vinho do Porto, a oferta estende-se ao azeite, outro ex-líbris da empresa, embora menos conhecido, proveniente da Quinta de Vargellas (com pão, €8). Também há petiscos, incluindo queijos e enchidos portugueses (ambos €15), amêndoas torradas (€4,50), trufas de chocolate negro (€5) e pastéis de nata (€1). Quando o calor apertar, experimente-se o cocktail exclusivo da marca: Taylor’s Chip Dry Tónico (€6). O lugar magnífico e a oportunidade de “conhecer e provar grandes vinhos do Porto, de diferentes categorias e estilos, desfrutando da vista privilegiada sobre o rio”, conforme sublinha Adrian Bridge, diretor-geral da Fladgate, são mais um atrativo da Lisboa antiga, que não para de surpreender e de encantar.

Taylor’s Vintage Port 2017
Cor retinta, quase opaca, com breve rebordo roxo, aroma ainda discreto, mas muito fino e complexo, conjugando a fruta com a mineralidade, numa harmonia mais do que perfeita. Paladar elegante com taninos firmes, longos, expressivos e reveladores, pela sua dureza, de um ano seco, fruta fresca de qualidade insuperável, grande profundidade e carácter, no estilo distinto dos Taylor’s. €100

Fonseca Vintage Port 2017
Cor profunda de tom entre preto e púrpura, aroma vibrante com o toque inicial dos frutos silvestres a que a mineralidade dá consistência, paladar também marcado pela fruta densa e concentrada, com taninos firmes e acidez nítida a garantirem vivacidade e grande potencial de envelhecimento, num conjunto tão enérgico como elegante. €100

Croft Vintage Port 2017
Além da cor intensa que se vai esbatendo do centro, onde é retinta, para o bordo, de tom fúcsia, o que mais seduz neste vinho é a pureza da fruta, tanto no aroma, bem harmonizado com notas florais, balsâmicas e de especiarias, como no paladar, no qual revela vigor e suavidade ao mesmo tempo, com taninos firmes e bem envolvidos. É um vinho poderoso com grande futuro pela frente. €85

Krohn Vintage Porto 2017
Praticamente preto, com um bordo arroxeado, aroma discreto e complexo a frutos pretos e vermelhos com delicadas notas florais e um fundo de terra e mato, paladar cheio com muito boa fruta e taninos vivos, mas suaves, num todo denso, macio e atrativo. €65

Taylor Vargellas Vinha Velha Vintage Port 2017
Cor profundíssima, totalmente opaca, do centro preto ao bordo roxo, aroma muito complexo, rico e delicado que se revela em sucessivas impressões aliciantes de frutos pretos, de plantas silvestres, de madeira de cedro, de couro, entre outras notas inebriantes. Paladar denso, expressivo e fortemente personalizado, que perdura e seduz. Um prodígio da Natureza. €250

Croft Quinta da Roêda Sērikos Vintage 2017
Feito com uvas de vinhas velhas da Quinta da Roêda, onde se produziu seda no período pós-filoxera – daí o nome grego –, é uma estreia estrondosa: cor praticamente preta, aroma elegante e complexo, avultando a fruta madura, cuja qualidade também se manifesta no paladar, que é espesso, sedoso, extremamente sedutor. €230