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Carnes bravas no restaurante Coruja Chef, em Coruche

Comer e beber

Cozinha moderna de inspiração mediterrânica, com o bom sabor dos produtos frescos da região e o agradável perfume das ervas aromáticas da horta biológica. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o Coruja Chef, na Quinta de São Martinho, em Coruche

O nome homenageia o antigo e conceituado restaurante Coruja, que faz parte da história da vila

O nome homenageia o antigo e conceituado restaurante Coruja, que faz parte da história da vila

Em Coruche, povoação tipicamente ribatejana, celebram-se, em maio, os Sabores do Toiro Bravo, que figuram entre as iguarias mais emblemáticas da gastronomia regional e atraem cada vez mais apreciadores, muitos dos quais se dirigem ao restaurante Coruja Chef, na Quinta de São Martinho, à saída da vila para Almeirim e Santarém (o nome homenageia o antigo e conceituado restaurante Coruja, que faz parte da história da vila). Abriu há quatro anos, no espaço da antiga adega da quinta, que foi devidamente adaptada às novas funções pelos irmãos Filipe e Ricardo Aleixo. Tem sala e esplanada de estilo rústico com ambiente familiar. Anexa, está a horta biológica, onde se cultivam ervas aromáticas que vão dar aromas e sabores característicos à cozinha. Esta é contemporânea, mas baseada na tradição, recuperando e valorizando o receituário e os produtos locais.

Filipe é o chefe, que não abdica de ir colher as ervas aromáticas à horta biológica quando as quer utilizar; do uso exclusivo de azeite virgem; do corte das carnes ao momento para evitar a oxidação; de dar a primazia aos produtos locais e regionais. Tudo isso se reflete numa ementa variada e original, como se verifica nas entradas, sejam do montado, como as túberas de fricassé ou grelhadas com flor de sal, os cogumelos silvestres salteados e o presunto pata negra de bolota com 24 meses de cura, sejam outras, como as saladas de polvo e de ovas, cada qual com as suas ervas aromáticas e azeite virgem.

E o mesmo se passa com os pratos principais, em que predominam as carnes, quer grelhadas, como a posta brava (só com sal), o lombinho de porco preto perfumado com ervas aromáticas, as plumas de porco preto de bolota, os medalhões de vitela e a espetada rústica com várias partes do porco preto (acompanhada com batata-doce, migas de espargos e abacaxi grelhado que, com a sua acidez, equilibra a gordura da carne), quer preparadas de outro modo, como a vitela brava assada com batatinhas (também assadas) e migas de broa e couve, o bife à Coruja (posta de carne brava com molho especial, que é um dos pratos mais pedidos), as bochechas de porco preto no forno com batata-doce e legumes salteados, o cabrito assado no forno, que é servido sobre pão tostado (também no forno) com azeite e orégãos e acompanhado com batatas assadas e migas, o rabo de boi com puré de batata-doce e a língua de vitela com batata-doce e legumes salteados. Destas iguarias saem dois ou três pratos do dia, sempre equilibrados e saborosos.

Menos pratos de peixe, mas também bons, como o sável frito com açorda de ovas, os bifes de atum e de espadarte com diferentes ervas aromáticas, o polvo no forno e o lombo de bacalhau à Coruja (no forno, com cebolada). Boa e variada doçaria caseira de que são exemplos o arroz-doce típico de Coruche, as farófias com doce de ovos e o bolo de chocolate com frutos vermelhos, mascarpone e iogurte grego. Garrafeira criteriosa, sendo metade dos vinhos da região, incluindo o da casa, jovem e frutado, servido a copo. Serviço atento e simpático.

Coruja Chef > EN114/IC10, Quinta de S. Martinho, Coruche, Santarém > T. 93 682 6311 > qui-ter 12h-15h30, 19h-22h30 > €14 (preço médio)