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“A Última Ceia” de Rui Paula é muito mais que pão e vinho

Comer e beber

A convite do canal História, o chefe Rui Paula recriou A Última Ceia de Cristo. O programa estreia-se nesta sexta, 12, na televisão. A ementa pascal vai estar a ser servida durante a Semana Santa, no restaurante Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira

Pão torrado na grelha pincelado com lardo fumado
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Pão torrado na grelha pincelado com lardo fumado

Nines Mínguez

Lírio dos Açores e tutano
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Lírio dos Açores e tutano

Nines Mínguez

Feijoada de tripas de bacalhau
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Feijoada de tripas de bacalhau

Nines Mínguez

Robalo ao sal com algas
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Robalo ao sal com algas

Nines Mínguez

Sobremesa de frutos secos e elementos de vinho
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Sobremesa de frutos secos e elementos de vinho

Nines Mínguez

“A minha reinterpretação baseia-se na ideia de partilha”, diz Rui Paula que idealizou um menu “bonito, saboroso e de técnica simples”, com cinco momentos
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“A minha reinterpretação baseia-se na ideia de partilha”, diz Rui Paula que idealizou um menu “bonito, saboroso e de técnica simples”, com cinco momentos

Nines Mínguez

Não serão apenas 13 a provar esta Última Ceia, como reza a história sobre a última refeição de Jesus Cristo com os apóstolos. De 16 a 20 de abril, durante a Semana Santa, todos os que conseguirem lugar à mesa na belíssima sala da Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, vão poder experimentar o menu temático que surge na sequência da participação de Rui Paula na reinterpretação d’A Última Ceia para o canal História. A iniciativa leva sete anos e já contou com as participações dos chefes de cozinha Miguel Laffan, João Alves, Kiko Martins, Pedro Almeida, Miguel de Castro e Silva, Henrique Sá Pessoa, Vítor Sobral e Diogo Noronha.

O miniprograma de três minutos – que estreia nesta sexta, 12, e repete todos os dias até à Páscoa –, foi gravado na própria Casa de Chá da Boa Nova, do arquiteto Siza Vieira. “A minha reinterpretação baseia-se na ideia de partilha”, diz Rui Paula que idealizou um menu “bonito, saboroso e de técnica simples”, com cinco momentos. “Tentei fazer pratos que representassem as minhas raízes: o Porto, Matosinhos e aquilo que sou”, continua o chefe.

A refeição começa com pão torrado na grelha pincelado com lardo (gordura de porco preto) fumado, a lembrar “a importância que o pão tinha naquela época” e também, confessa o chefe, as torradas que a avó lhe fazia nas brasas da lareira. "Tem o mesmo cheiro”, recorda. O peixe acompanha praticamente os restantes momentos da ementa pascal. Para entrada, lírio dos Açores fumado em salmoura, a representar “a forma como se conservava antigamente o pescado”, servido em tostas de pão, para comer à mão, num ambiente de partilha.

Para primeiro prato principal chega uma feijoada de tripas de bacalhau, “um peixe que nos representa”, inspirado nos estufados de feijão da cozinha judaica (o cholent), onde não entra carne de porco. Segue-se o robalo ao sal com algas, acompanhado por uma salada de batata, azeitona, feijão verde, ovo e ervas finas, igualmente para partilhar. “Representa o nosso Oceano Atlântico, e o facto de sermos um País com cheiro a iodo”, salienta.

Por fim, a sobremesa é uma evocação do vinho à mesa d' A Última Ceia, em Jerusalém: um sorbet de vinho quente com uvas de várias texturas e granola caseira. “Quis fazer uma refeição onde as pessoas estão reunidas, com amor e paz na mesa, através de pratos que representassem a época, fáceis de comer, apelativos e tecnicamente bem feitos.”

O edifício Casa de Chá da Boa Nova, obra de Siza Vieira

O edifício Casa de Chá da Boa Nova, obra de Siza Vieira

A Última Ceia > Canal História > estreia 12 abr, sex 22h10 > repetições até 21 de abril (dia de Páscoa) > Casa de Chá da Boa Nova > Av. da Liberdade, 1681, Leça da Palmeira, Matosinhos > T. 22 994 0066 / 93 249 9444 > menu "A Última Ceia" > 16-20 abr > ter-sáb 12h30-15h, 19h30-23h > €120 (inclui harmonização de vinhos)