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Vinhos Quinta de Santiago e 1000 Curvas: Os caminhos da qualidade

Comer e beber

Em vez de fazerem vinhos mais ou menos tecnológicos e mais ou menos iguais aos outros, a Quinta de Santiago e a Quinta da Castanheira, na Região dos Vinhos Verdes, querem-nos personalizados e diferentes. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

A família Santiago possui uma quinta no Alto Minho – Região dos Vinhos Verdes, Sub-Região de Monção e Melgaço –, desde 1899, onde sempre cultivou a vinha, mas só em 2009 decidiu dedicar-se à produção, ao engarrafamento e à comercialização dos vinhos com marca própria. Animava-a um propósito firme: fazer de cada vinho “uma experiência, um momento de partilha”. Joana Santiago, da geração mais jovem, é o rosto deste projeto focado na qualidade e no respeito pela Natureza, sendo acompanhada de perto pelo pai e pela mãe, ele bancário e ela professora, entretanto reformados. Após a reestruturação das vinhas, sob a bandeira da casta Alvarinho, que tem aqui o seu território de eleição, Joana apresenta o Rascunho, um vinho distinto, que respeita a tradição sem recusar a modernidade. Tem o caráter e a raça que só um terroir excecional e uma casta nobre podem dar.

Mais a sul, em Baião, no limite da Região dos Vinhos Verdes, outro projeto interessante e também familiar, recente e de qualidade comprovada: a Quinta da Castanheira, onde se produz vinho desde 1907. Rodrigo Soares, o proprietário, decidiu transformá--la numa “boutique winery” e convidou o enólogo Pedro Mota para se associar ao projeto. Em 2011, as vinhas foram reconvertidas com o objetivo de fazer um vinho diferente, capaz de expressar aquele terroir específico. As primeiras colheitas, de 2014 e 2015, comercializadas em 2017, deram a conhecer um “field-blend” de Chardonnay e Alvarinho singular: o 1000 Curvas. A colheita de 2016 está a chegar ao mercado, em duas versões, uma com e outra sem madeira, que importa conhecer.

Rascunho by Quinta de Santiago 2015
Exclusivamente da casta Alvarinho, eis um vinho surpreendente, no mínimo, pela cor citrina com laivos esverdeados, pelo aroma intenso e complexo com notas frutadas (cítricas, sobretudo) e florais, pelo paladar cheio de fruta, de frescura e de cremosidade, e pelo final longo e vibrante. É o segundo vinho feito na quinta, mas o primeiro a chegar ao mercado, pois o de 2014 só agora surge: ambos longevos, excelentes e – que pena! – ambos com edições muito limitadas. €25

1000 Curvas OAK Chardonnay & Alvarinho Branco 2016
Lote de Chardonnay (70%) e Alvarinho (30%), fermentado em inox e estagiado 24 meses em barrica, que se apresenta com uma bela cor amarela pálida, aroma fino com alguma complexidade, avultando as notas de fruta (citrinos e fruta de caroço) e um toque mineral. Paladar impressivo com volume, estrutura, boa acidez e mineralidade marcante, final seco, não muito longo, mas convincente. €10,50