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Regresso feliz dos vinhos Quinta do Côtto, na região do Douro

Comer e beber

Marcos na história dos vinhos tranquilos – vinhos de mesa, no dizer mais popular e talvez mais expressivo – da região do Douro, os vinhos da Quinta do Côtto estão de regresso. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o relançamento da marca

O ano de 2018 deixou gratas recordações relacionadas com vinhos, entre as quais avulta o relançamento da marca Quinta do Côtto, da sociedade – e da família – Montez Champalimaud. Este regresso acabou por ser uma evocação da forma como a casa Montez Champalimaud, herdeira de um património secular que inclui a Quinta do Côtto, no Douro, e o Paço do Teixeiró, no Minho, se afirmou, na década de 60 do século passado, com uma estratégia inovadora: engarrafar e vender diretamente no mercado os seus “vinhos de quinta”. O Quinta do Côtto foi um êxito. Mais tarde, sob a liderança de Miguel Champalimaud, a categoria de “vinhos de quinta” conheceu novo impulso, quando o portefólio foi enriquecido com o Quinta do Côtto Grande Escolha que, ao tempo, rivalizou com o Barca Velha. Seguiu-se o Paço de Teixeiró. Em 2004, a Casa Montez Champalimaud surpreendeu ao adotar a screw cap (tampa de rosca) em todo o portefólio dos vinhos, mas, em 2017, houve mudança de geração, de gestão e de estratégia com a chegada de Miguel Champalimaud (filho), que levou ao relançamento da Quinta do Côtto (e do Paço de Teixeiró) com uma nova imagem que se saúda.

Pretende-se associar esta imagem a “vinhos intemporais e de elevada qualidade”, e os quatro vinhos apresentados em 2018 – Quinta do Côtto, Quinta do Côtto Grande Escolha 2015, Quinta do Côtto Vinha do Dote 2015 e Quinta do Côtto Bastardo 2016 – provam a sua razão de ser. São vinhos personalizados, de perfil clássico, a que a Casa Montez Champalimaud se mantém fiel, sem ir atrás de modas. O Quinta do Côtto foi aqui referido, aquando da sua apresentação, por ser o mais comum, mas é a altura de apresentar os três restantes, que não são de todas as colheitas e que merecem atenção à parte.

Quinta do Côtto Vinha do Dote DOC Douro 2015
Resulta de um lote de mais de 30 castas, de vinhas com 90 anos. Tem cor de um rubi profundo, aroma complexo, paladar volumoso e bem estruturado, com fruta, taninos maduros e frescura bem conjugados. Final longo e persistente. €20

Quinta do Côtto Bastardo DOC Douro 2016
Monocasta Bastardo. A cor é de um rubi aberto, o aroma muito fino e muito fresco, com notas de frutos silvestres e outras evocações de bosque; paladar cheio, afirmativo e harmonioso, com taninos e acidez em bom equilíbrio; algumas notas vegetais, grande frescura e final longo e persistente. €25

Quinta do Côtto Grande Escolha 2015
Feito com uvas de Vinhas Velhas, Touriga Nacional e Touriga Franca, estagiado por 15 meses em barrica e engarrafado só com ligeira filtração, apresenta cor de um rubi intenso e distinto, aroma ainda fechado e já muito elegante a frutos vermelhos, paladar firme de textura e equilíbrio perfeitos, além de um final longo, vibrante e poderoso. €50