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Sol, rio, boa comida e cocktails: a receita que faz do Vestigius um sítio a não perder

Comer e beber

Quando nasceu, em 2013, virado ao Tejo, não se assumia como um restaurante. Servia vinho com sabedoria e fazia-o junto a alguns petiscos. Hoje, podemos escrever com todas as letras: o Vestigius é um restaurante onde vale a pena ir

Carabineiro em cama de legumes e lentilhas com presunto estaladiço

Carabineiro em cama de legumes e lentilhas com presunto estaladiço

É dezembro e está um sol que não lembra o Diabo. Não hão de estar os estrangeiro todos em manga curta, olhos postos no rio, prostados perante a beleza do Tejo e as delícias que lhes vão caindo na mesa.

Vem isto a propósito do almoço em que provámos os novos pratos do restaurante-bar Vestigius, que fica no Cais do Sodré, a dois metros da água. Tão perto que, em dias de maré muito cheia, sempre que um cacilheiro atraca, provoca ondas que galgam o passeio e quase tocam nos pés daqueles que estão, deliciados, na esplanada. Esplanada que agora aumentou e fez-se decorar com cadeiras de verga suspensas à volta de uma lareira, que há de acender-se quando a meteorologia fizer jus à época do ano.

Além deste novo cantinho, o predileto de quem quiser ar puro, no que toca à comida, há três novas caçarolas na ementa, todas de frutos de mar, mas com diferentes condimentos e molhos. Avisa-se já que éramos três à mesa e só conseguimos provar um exemplar com mexilhão, camarão, lula e peixe branco, tudo regado com Bulhão Pato porque as doses são de uma extrema generosidade (€40 para duas pessoas). Também é bom estar com o telemóvel a postos, se se quiser fazer furor no Instagram. As caçarolas são servidas numas bonitas tagines de barro preto e quando se levanta a tampa em formato de cone, o molho ainda borbulha, atestando a confeção ao momento.

A verdade é que antes já prováramos um hambúrguer de atum com pesto, a que preferiríamos apelidar de tártaro, porque está completamente cru (aliás, é assim que se anuncia na ementa). Cru, mas delicioso. O polvo em carpaccio, com vinagreta e cebola roxa (€14) cai mesmo bem a seguir ao atum. E as rodelinhas de broa frita comem-se como se fossem viciantes chips. As flores em amarelo e roxo dão um toque elegante a estes dois pratos e podem comer-se, claro.

Na ementa, há três novas caçarolas, servidas em tagines de barro, todas de frutos de mar, mas com diferentes condimentos e molhos

Na ementa, há três novas caçarolas, servidas em tagines de barro, todas de frutos de mar, mas com diferentes condimentos e molhos

Depois, Esmeralda Fetahu, a discreta dona e artista que faz por não se notar, traz-nos um belo carabineiro em cama de legumes e lentilhas com presunto estaladiço (€32) é a foto que escolhemos para teaser deste texto, porque o prato, mesmo antes de se comer, enche-nos o olho. Na hora da verdade, é o que se espera: frescura e consistência irrepreensíveis.

Para quem gosta de partilhar, o Vestigius lançou ainda um menu de tapas, com cinco momentos, que é servido para duas pessoas, por 45 euros. A qualquer hora do dia, pode experimentar-se o tártaro e o polvo de que aqui se fala e ainda uma salada caprese, punheta de bacalhau e pica-pau da vazia.

O café serve-se com requinte, em tabuleiro, e com um cubo de açúcar mascavado pousado numa colherzinha. A isto junta-se um shot de águas das pedras bem precisámos , um suspiro e uma língua de veado. O remate perfeito, que teima em dificultar-nos o regresso do corpo e da alma à vida real. O sol, a comida e o cocktail com que abrimos a refeição também não ajudaram.

Vestigius > R. da Cintura do Porto de Lisboa, Caís do Sodré, Armazém A17, Lisboa > T. 21 820 3320 > seg-dom 11h-23h