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Restaurante Mistu: Puro gosto, no Porto

Comer e beber

O nome sugere variedade e mistura de sabores. E confirma-se, com resultados que surpreendem e agradam. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Mistu, no Porto

Lucilia Monteiro

Fez um ano, neste final de novembro, que o Mistu abriu ao público e já não se imagina sem ele o lugar onde se encontra, nas traseiras do Palácio da Bolsa, no centro histórico do Porto, pela singularidade da decoração, do ambiente e da gastronomia. O restaurante, num lugar que foi de uma serralharia, surpreende pela luz natural; o pé-direito quase desmesurado que alberga o bar e uma sala, em baixo, e outra sala em cima, no mezanino; o encanto dos materiais esquecidos: ferro forjado, latão, mármore e palhinha; o jogo dos tons claros e escuros com o verde das plantas, que são muitas, a intrometer-se; o inesperado das fotos; o ambiente sofisticado e, ao mesmo tempo, acolhedor.

A cozinha é do mundo, influenciada por várias culturas gastronómicas, incluindo, de forma bem evidente, a portuguesa. Vigora a ideia de partilha, aplicável a todos os itens da ementa, a qual, parecendo curta – couvert, frios (8), quentes (11) e sobremesas (8) – se revela muito eclética e diversificada. O couvert é inusual e muito leve, com legumes crus sobre gelo, pequenas tostas e três molhos (dips) apetitosos. Os frios apresentam três abordagens de ceviche muito bem conseguidas, em especial a de peixe branco, geralmente corvina, com textura e sabor aliciantes; a “causa” de caranguejo de casca mole e abacate é uma iguaria complexa e desafiante, que delicia; o tártaro de lombo tem um molho oriental (kimchi) que lhe dá um agradável toque exótico; a salada de pato, que combina a carne meio estaladiça com romã, maçã, pinhões, alface e molho chinês para churrasco (Hoisin), fica leve, aromática, picante, imperdível.

Já os quentes têm no camarão-tigre com risoto de choco o prato mais caro e, provavelmente, o mais pedido, pela qualidade da matéria-prima e pelo bom gosto da apresentação; o polvo com batata-doce é outro êxito, que se justifica também pela qualidade do produto, pela técnica culinária e pela estética; e carnes excelentes, com diferentes cortes, de que é exemplo o cupim de boi, talvez o menos nobre, mas muito tenro e de sabor intenso. Doçaria apelativa com registo idêntico ao dos pratos, do fondant de dulce de leche ao crumble de pera e ao parfait de coco. Garrafeira interessante e com grande visibilidade na sala. Serviço eficiente e simpático.

A cozinha do Mistu é do mundo e apela à partilha

A cozinha do Mistu é do mundo e apela à partilha

Lucilia Monteiro

Mistu > R. do Comércio do Porto, 161, Porto > T. 92 668 2620 > seg-sex 19h30-23h30, sáb-dom 13h-15h30, 19h30-24h > €40 (preço médio)