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Sabores caseiros no restaurante A Taberna, em Coimbra

Comer e beber

O forno a lenha é revelador, para quem chega, do modo como se cozinha e do gosto que tem a comida. A opinão do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante A Taberna, em Coimbra

Polvo na brasa com molho à base de pimentão, em vez do azeite quente com alho, e, por isso, mais à galega do que à lagareiro

Polvo na brasa com molho à base de pimentão, em vez do azeite quente com alho, e, por isso, mais à galega do que à lagareiro

DR

No centro de Coimbra, entre o Jardim Botânico e o Estádio, perto do Penedo da Saudade, encontra-se A Taberna, que se tornou uma referência gastronómica da cidade, graças à sua cozinha de tradição portuguesa com forte influência beirã. Conta mais de um quarto de século, sob a liderança do mestre José Gil. É um restaurante acolhedor, com decoração rústica – na qual se integra, e com belo efeito, o forno a lenha –, recentemente renovada com elementos que lhe deram conforto e, até, um toque de modernidade, como as cadeiras almofadadas, os “caminhos de mesa”, os copos de pé alto. O ambiente é agora mais leve, claro e agradável. A cozinha mantém a aposta na qualidade dos produtos, de preferência regionais e/ou certificados.

A ementa também evoluiu sem se descaracterizar, apresentando alguns pratos novos, como o atum com molho de ervas, bela posta assada na brasa e terminada no forno com um molho de espumante tinto que lhe realça o sabor, e um misto de legumes grelhados a acompanhar. O rodião mirandês e o cachaço de porco preto – ambos assados no forno a lenha e acompanhados, o primeiro, com batata assada e legumes, o segundo, com batata-doce também assada e grelos – são recentes. Qualquer destes pratos justifica o lugar conquistado na lista, ao lado dos clássicos bacalhau assado com batatas a murro, polvo na brasa com molho à base de pimentão (em vez do azeite quente com alho, por isso mais à galega do que à lagareiro), cabrito assado no forno, chanfana e posta mirandesa, entre outros.

Antes deles, nas entradas, assinale-se outra novidade: pezinhos de coentrada, enriquecendo o lote de petiscos que, em regra, conta com petingas de escabeche, morcela assada, cogumelos grelhados, presunto pata negra e requeijão. O restaurante tem dois “menus gastronómicos”, com entrada, um prato de peixe e dois de carne – bacalhau assado, posta mirandesa e cabrito, num; polvo, vitela de Lafões e chanfana, noutro –, vinho, sobremesa e café (€39,80).

Boa doçaria tradicional, reforçada com as tartes de maçã e de amêndoa, que vieram juntar-se ao leite-creme, ao arroz-doce, à barriga de freira e à encharcada, entre outros mimos. Garrafeira equilibrada nas escolhas e nos preços. Serviço eficiente e simpático.

D.R.

A Taberna > R. Combatentes da Grande Guerra, 86, Coimbra > T. 239 716 265 > ter-sáb 12h30-15h, 19h30-22h30, dom 12h30-15h, seg 19h30-22h30 > €30 (preço médio)