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Mercado dos vinhos: Quanto mais, melhor

Comer e beber

A angústia do consumidor, diante de uma prateleira de vinhos que não conhece, é compreensível mas injustificada. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

O mercado dos vinhos está em permanente renovação, como é próprio da sua natureza – sucessão de colheitas, experiências, inovação, novas marcas –, e deixa muitas vezes o consumidor perplexo diante da prateleira repleta de garrafas, com rótulos diferentes dos que estavam na última vez que ali passou. Há quem consulte o papel que traz no bolso, com notas tiradas, provavelmente, de sugestões de amigos mais conhecedores ou de críticas de vinhos ouvidas ou lidas algures, antes de fazer as suas escolhas. Há quem peça ajuda ao vendedor, mesmo sem saber o grau de competência que ele tem na matéria, que pode ser zero; quem se determine pela intuição, pelo preço, pelo aspeto da garrafa e pelo mediatismo da região, da marca ou do produtor. E quem, simplesmente, desista. Outra atitude é a do consumidor que vai direto e resolutamente à procura de um vinho e não olha, sequer, para os que estão à volta.

Este apego, que tende a ser exclusivista, a certas marcas ou vinhos, inibe os consumidores de conhecerem outros, dos mais variados tipos e estilos, com aromas, sabores e perfis diferentes, que vale a pena conhecer. Seria um enriquecimento. Escolher ao acaso também não faz sentido. O consumidor dispõe, hoje, de informação bastante e acessível para se guiar no circuito dos vinhos, que se apresenta cada vez mais variado, rico e capaz de proporcionar grandes experiências. É preciso ter o espírito aberto e saber o que se passa, por exemplo, no mundo dos pequenos produtores, que são uma fonte singular de abastecimento do mercado, com alguns dos vinhos mais puros e personalizados que nele existem. Mas sem preconceitos: cada vinho vale por si, não pela marca de origem. Fujamos de tudo o que possa tolher a liberdade de escolha, a começar pelas cismas, sejam da própria pessoa sejam dos outros.

Cartuxa Branco 2017
Feito com uvas das castas Antão Vaz e Arinto, apresenta cor palha com reflexos esverdeados, aroma vivo a frutos citrinos e tropicais, com apreciável mineralidade. Paladar intenso, com a fruta outra vez em evidência, volume e acidez bem equilibrada, final longo e agradável. €9,90

Herdade do Rocim Espumante Brut Nature Rosé 2016
Já não surpreende ver um belo espumante do Alentejo, feito com uvas da Casta Touriga Nacional, como este, com uma bela cor salmão, bolha fina e persistente, aroma elegante com notas frutadas, florais e alguma tosta. Paladar cremoso com grande frescura, final longo, delicado, insinuante. €14,50

Quinta Nova Grande Reserva Douro DOC Tinto 2016
Uvas de uma vinha muito velha (25%) e Touriga Nacional da década de 70 deram este grande vinho de cor profunda, entre vermelha e violeta, aroma complexo com notas de frutos pretos, algum floral e especiarias. Paladar elegante, com notável equilíbrio do álcool, estrutura e acidez. €55