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Saborear e ver no restaurante Via Graça, em Lisboa

Comer e beber

À cozinha portuguesa contemporânea, com inovação, junta-se a vista da cidade antiga sem igual. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Via Graça, em Lisboa

Aberto há 30 anos, no Bairro da Graça, o restaurante Via Graça é um clássico de Lisboa

Aberto há 30 anos, no Bairro da Graça, o restaurante Via Graça é um clássico de Lisboa

Mário João

Ver Lisboa não cansa, sobretudo quando nos deparamos com os seus panoramas mais belos, como o que se oferece a partir do restaurante Via Graça, e nos leva o olhar pela colina e pelo bairro com o mesmo nome, para o Castelo, a Baixa, o Chiado e o Tejo até à “outra banda”, com a Ponte 25 de Abril em fundo. Por isso, há que voltar ao restaurante, de vez em quando, sentar-se à mesa, junto das janelas, admirar aquele quadro sublime da cidade antiga e saborear uma refeição ao gosto português, com variações ditadas pelas novas técnicas de confeção e apresentação. Foi esta, pelo menos, a impressão que deixou a última visita: tendência para inovar, por exemplo, com os cozinhados a baixa temperatura, sem perder a matriz tradicional portuguesa – olhando em volta, nas duas salas decoradas com sobriedade, compreende-se esse desejo de modernização: há tantos estrangeiros como portugueses, ou mais, talvez.

Trata-se, pois, de um restaurante de cozinha portuguesa atual, com produtos de excelente qualidade, culinária evoluída e segura, apresentação atraente e carta não muito extensa, mas bem equilibrada. No couvert, junta-se ao pão e às manteigas aromatizadas um copo de espumante, que é retirado, se não interessar, embora se justifique a sua presença. Nas entradas, o destaque vai para alguns clássicos da casa, como as vieiras com molho de caril, os folhados de queijo de cabra e os escalopes de foie gras.

Nos pratos principais, um aceno de apreço para o robalo com risoto de lingueirão e espuma de ostra, que traz o mar à mesa; o bacalhau com broa negra, cozinhado a baixa temperatura, que deixa aflorar a gelatina entre as lascas, e terminado no forno com broa alentejana de milho e azeitonas, é outra delícia; a garoupa de caril com puré de violeta e ar de coentros tem um toque de modernidade, que sabe respeitar a textura e o sabor delicado do peixe; o cabrito assado a baixa temperatura, claramente destinado ao cliente estrangeiro, com a carne a desprender-se do osso, é bem conseguido, mas distinto e incapaz de fazer esquecer o assado tradicional; a empada de caça é o ex-líbris da casa, e bem merece, pela textura suave e pelo sabor rico. Doçaria apelativa, bem representada pelo creme rico queimado em folha crocante, pela musse de chocolate e pelo crocante de maçã. Muito boa garrafeira, com várias opções de vinho a copo. Serviço profissional.

Mário João

Via Graça > R. Damasceno Monteiro, 9B, Lisboa > T. 21 887 0830 > seg-sex 12h30-15h, 19h30-23h, sáb-dom 19h30-23h > €50 (preço médio)