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Três vinhos do Douro a fixar

Comer e beber

Por mais que a região nos diga, através do conhecimento dos seus vinhos, tem sempre coisas para nos surpreender. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, acerca de três vinhos do Douro

Já pouco resta para dizer sobre a qualidade dos vinhos tranquilos do Douro, quando eles se impõem de forma tão categórica no mercado, como acontece, de há anos para cá, sem passarem de moda. Vinhos para todos os gostos e bolsas, para o consumidor comum e para o apreciador mais exigente, todos dignos de apreço pela personalidade que os caracteriza e que é como que a sua marca de origem. Não há quem não tenha referências de vinhos tranquilos do Douro para acompanhar a refeição, seja simples e barata seja sofisticada e alheia ao custo.

Vem isto a propósito de três vinhos muito bons, recentemente provados, com origem comum, no Douro, e estilos diferentes, quer entre si quer dos demais. Tornou-se inevitável trazê-los aqui. O Oboé Som de Barrica Tinto 2015, do produtor dos vinhos Oboé e Fagote, surge pela primeira vez, juntamente com o Oboé Som de Barrica Branco 2016 (quantidade limitada a 2 mil garrafas de cada), sendo a expressão máxima do seu terroir, só produzidos em anos de excecional qualidade, por isso raros, como este grande tinto. O Quinta dos Murças Ânfora 2017, primeiro vinho de talha com certificação DOC Douro, é uma interpretação diferente do terroir da quinta, digna de atenção e apreço (só mil garrafas). O Roquette & Cazes 2015 celebra o 15º aniversário da parceria entre Jorge Roquette, da Quinta do Crasto, e Jean-Michel Cazes, do Château Lynch-Bages, e o mínimo que se pode dizer é que está à altura do acontecimento.

Oboé Som de Barrica Douro Tinto 2015
Feito com uvas selecionadas de vinhas velhas, estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês. Apresenta cor rubi profunda, aroma elegante e muito complexo, paladar cremoso com taninos sedosos, acidez equilibrada, textura perfeita, grande frescura e final persistente, harmonioso, sedutor. Para beber e guardar. €68

Quinta dos Murças Ânfora 2017
Fermentado e estagiado em ânforas, tem cor rubi, aroma intenso com notas francas de frutos vermelhos e algumas balsâmicas, paladar fresco com taninos firmes, acidez viva e boa fruta, num todo equilibrado. Final longo e impressivo. €25

Roquette & Cazes Douro Tinto 2015
Feito com uvas das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou em barricas de carvalho francês durante 18 meses. Bela cor violeta, aroma fino com notas de frutos silvestres e de especiarias, paladar cheio, equilibrado, e final longo, muito elegante. €20