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Restaurante As Velhas, em Lisboa: Longos anos de bom gosto

Comer e beber

Uma casa singular, que atravessou um século e entrou noutro com vigor acrescido, sempre fiel à cozinha portuguesa. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante As Velhas, em Lisboa

Uma casa com acolhimento caloroso, ambiente tranquilo, cozinha esmerada e serviço profissional

Uma casa com acolhimento caloroso, ambiente tranquilo, cozinha esmerada e serviço profissional

Diana Tinoco

Da mesa que me coube, perto da porta do restaurante As Velhas, pude observar toda a sala – ampla e desafogada, em forma de retângulo, com balcão ao fundo – e verificar que não havia clientes portugueses, além de mim e de quem me acompanhava. Pareceu-me estranho, estando num restaurante tão antigo e tradicional. Mas o receio de mudanças desfez-se ao ver a ementa, que continua a ser um registo criterioso de pratos típicos portugueses. Reparei, também, que a montra do peixe, um dos símbolos da casa, estava estranhamente vazia. Esgotara-se ao almoço, quando a afluência é mais intensa e diversificada, explicou o empregado. O restaurante tem clientes fiéis, quer estrangeiros que visitam Lisboa com frequência, e que passam sempre por ali, quer portugueses que conhecem e apreciam o acolhimento caloroso, o ambiente tranquilo, a cozinha esmerada e o serviço profissional.

Diana Tinoco

Ementa bem estruturada, com sete entradas, quatro sopas e saladas, sete pratos de peixe e outros tantos de carne. Destacam-se, nas entradas, os peixinhos da horta, com o feijão-verde bem verdinho e bem envolvido num polme enxuto e estaladiço; as amêijoas à Bulhão Pato, com o sabor a mar da amêijoa-boa e o perfume do alho e dos coentros; as gambas ao alho, com fritura exemplar; o presunto ibérico e o queijo amanteigado, ambos de qualidade. Nos pratos principais, impõe-se o peixe do dia, de tal modo que não sobra e, às vezes, nem chega ao jantar, como se viu, reinando o robalo grelhado; a pescada fresca, seja em filetes seja à marinheira, com cebola, tomate e gambas; o arroz de gambas e tamboril, o tamboril à Bulhão Pato e o polvo à lagareiro, sem esquecer o bacalhau d’As Velhas, que é à minhota, com uma posta alta que se abre em lascas saborosas, e o bacalhau à Brás, que está fora da ementa mas é feito no momento se pedido (o mesmo acontece com outros pratos, o que, na prática, engrandece a ementa). As carnes são frescas, de origem portuguesa, boas e bem confecionadas, seja o porco bísaro com amêijoas, versão nobre da popular carne de porco à alentejana, seja o coelho à caçador, novo na casa, mas tão bem acolhido que vai ficar, sejam os rojões com castanhas, o entrecôte à portuguesa ou os vários bifes, todos emblemáticos. Boa doçaria tradicional, que vai variando, como o bolo rançoso de Mourão, que tem selo de origem, as tartes de limão merengada, de chocolate e de queijada de Sintra, o pudim flan. Garrafeira selecionada com vinhos a copo de três regiões.

Diana Tinoco

As Velhas > R. da Conceição da Glória, 21, Lisboa > T. 21 342 2490 > seg-sex 12h30-15h, 19h-22h, sáb 19h-22h, encerra feriados > €35 (preço médio)