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Ilha e Greco di Tufo: Dois vinhos singulares da Madeira e de Setúbal

Comer e beber

Recentes, produzidos em pequena escala, porventura exóticos, mas com personalidade e interesse evidentes. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre dois vinhos de castas distintas

Uma das características do país vitivinícola que temos é a grande riqueza de castas. Sem mérito que nos caiba, diga-se, pois resultou do marasmo reinante na viticultura, quando outros países procediam à seleção das melhores castas, eliminando as restantes. Mas, como costuma dizer-se, há males que vêm por bem, como esse atraso que permitiu a preservação de um património genético riquíssimo: centenas de castas, umas de categoria internacional inequívoca, outras de cativante exotismo e muitas de valor ainda por esclarecer. De vez em quando, surgem novos vinhos, uns de castas esquecidas, como a Tinta Negra, que a enóloga Diana Silva elegeu para fazer o seu Ilha, na Madeira; outros de castas exógenas, como a italiana Greco di Tufo, que deu à Bacalhôa mais um monovarietal, na Península de Setúbal.

A Tinta Negra é uma casta tão abundante como desdenhada na Madeira. Diana Silva, jovem enóloga madeirense com obra feita no Continente, decidiu voltar à sua terra e fazer, com essa casta, não um, mas três vinhos com a marca Ilha: um branco (“Blanc de Noirs”, evidentemente), um tinto e um rosé apelativos, frescos, vivos e manifestamente gastronómicos.

A Greco di Tufo tem outro historial, com origem provável na Grécia mas também referenciada na antiga Roma, onde lhe eram atribuídas propriedades afrodisíacas. O seu território de eleição atual é em Itália, na Campania, onde o empresário Joe Berardo, dono da Bacalhôa Vinhos, se afeiçoou a esta casta. Dali veio para a Península de Setúbal. E das suas uvas se faz um vinho português personalizado e diferente.

Ilha DOP Madeirense Blanc de Noirs 2017
Um branco de uvas tintas – 100% Tinta Negra – parco na cor, fino no aroma com aliciantes notas florais e frutadas, sobretudo cítricas, paladar salino com um toque mineral e radiante frescura, que vem da acidez muito viva, e final persistente. É manifesta a sua aptidão gastronómica, em especial para mariscos e peixes delicados. €19,90

Bacalhôa Greco di Tufo Branco 2017
Feito exclusivamente com uvas da casta Greco di Tufo, apresenta uma cor original amarelo--dourado com laivos alaranjados, aroma complexo a flores e frutos cítricos maduros, paladar elegante, com corpo e estrutura (fermentou com películas). A boa frescura, que vem da acidez natural das uvas, e o corpo forte recomendam-no para a mesa. €9,99