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O restaurante Epur, em Lisboa, é uma experiência total

Comer e beber

Tem uma vista extraordinária da Lisboa antiga e uma gastronomia depurada que é prerrogativa dos grandes chefes de cozinha. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Epur, do chefe de cozinha Vincent Farges

O Epur tem grandes janelas abertas para a Baixa lisboeta e decoração discreta, em tons neutros

O Epur tem grandes janelas abertas para a Baixa lisboeta e decoração discreta, em tons neutros

O novo restaurante lisboeta Epur, do chefe Vincent Farges, abriu no princípio de maio e correspondeu às expectativas, que eram muito altas, tanto no que respeita ao lugar, às instalações e ao ambiente como em relação à gastronomia. Quatro meses são normalmente insuficientes para avaliar a qualidade e a consistência de um projeto de restauração, mas o nome, e os antecedentes do chefe – o qual, recorde-se, deu provas do seu talento ao comando da cozinha da Fortaleza do Guincho, durante dez anos –, e o que já nos foi possível saborear no Epur justificam bem a referência.

É um lugar onde apetece estar e comer, graças à beleza arrasadora do panorama, ao charme do ambiente e à categoria excecional da cozinha. Tem três salas com belos lambris de azulejo, grandes janelas abertas para a Baixa lisboeta e decoração discreta, provavelmente para não distrair o olhar. Mas este tem outro desafio no interior: a cozinha, bem visível.

A ementa é feita dia a dia com ingredientes que o chefe seleciona, combina e cozinha em nove iguarias: três entradas (“Para começar: água/ horta/ terra”), três pratos principais (“A seguir: do mar ou do rio/ do campo/ recordações”), e três sobremesas (“Para terminar: chocolate/pomar/vintage). Não está escrita, mas é convenientemente explicada, à mesa. Depois, o cliente opta pelo seu menu, que pode ser de “4 Momentos” (Água, Mar, Campo e Vintage, €90), “6 Momentos” (Água, Horta, Terra, Mar, Recordações e Pomar, €125), e “8 Momentos” (Água, Horta, Terra, Mar, Campo, Recordações, Chocolate e Pomar, €160), com os correspondentes “Momentos vínicos” (€40, €60 e €80, respetivamente).

A mudança diária deixa sem sentido qualquer referência a pratos específicos. Importa, sim, dizer que o seu foco está nos produtos da mais alta qualidade (ainda que nem todos sejam considerados nobres, pois, no domínio das “Recordações”, pode aparecer coelho ou língua de vitela, tripas, cozido…); na confeção, que, além de ser técnica e esteticamente irrepreensível, elege um produto para cada iguaria, junta-lhe dois ou três elementos e cria harmonias surpreendentes; e, no sabor, é sempre rico, sempre delicado e sempre aliciante. Serve-se, ao almoço, um “Menu essencial” com entrada ou sobremesa, prato, copo de vinho e chá ou café por €45. Garrafeira só com vinhos portugueses, a que acresce meia dúzia de champanhes. Serviço atento, simpático e eficaz.

Epur > Lg. da Academia Nacional das Belas Artes, 14, Lisboa > T. 21 346 0519 > ter-sáb 12h30-15h, 19h30-23h > €130 (menu de quatro pratos com vinhos)