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Tudo no ponto no restaurante G Pousada, em Bragança

Comer e beber

Podia ser de Gozo, mas vem de Gonçalves e de Geadas o G que dá nome ao restaurante da Pousada de Bragança. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Lucilia Monteiro

Do alto do Monte de São Bartolomeu contemplam-se o castelo e a cidade de Bragança, ao mesmo tempo que se saboreiam iguarias preparadas com produtos da região, que são cozinhados e apresentados de forma inovadora, no G Pousada. O ambiente é elegante, com uma vista admirável, e a gastronomia de excelência, a cargo dos irmãos António Luís (vinhos) e Óscar (comida), vindos do restaurante Geadas, que é uma referência da gastronomia da região, fundado e dirigido pelo seu pai, Adérito Gonçalves. A escola é a mesma, mas a experiência não, porque, além da formação académica, Óscar conheceu outras cozinhas, como as dos restaurantes Feitoria e Fortaleza do Guincho, ambos com Estrelas Michelin. É uma cozinha de autor, contemporânea, e inspirada na tradição transmontana.

A ementa está bem estruturada: um couvert sugestivo, quatro entradas, quatro pratos de peixe, cinco de carne, quatro sobremesas, além da tábua de queijos e da textura de frutas; menus de 3, 5 e 8 pratos (€60, €75 e €120, respetivamente); e um menu vegetariano. A sua rotação é semestral e assenta nos produtos sazonais endógenos. Alguns destes produtos permanecem ao longo do ano, como os cogumelos do bosque: acabadas as trombetas da morte, estão aí os cantarelos, a que se seguirão os boletos e depois outros, sempre selvagens. Tanto na refeição à carta como nos menus, há opções com sabores tradicionais a cuscuz, a cordeiro ou a presa de porco bísaro, e outros menos lineares, como pregado com barbada de porco (barriga) e aipo.

Também pode refugiar-se em pratos cuja composição conhece, como o cordeiro bragançano e lentilhas no forno, ou deixar-se tentar por combinações novas e surpreendentes, como o salmonete, cuscuz de Vinhais e camarão-tigre. Há surpresa, aliás, em cada prato: na bola de Berlim recheada com queijo terrincho e no Ferrero Rocher de alheira, castanha e amêndoa, que fazem parte das “saudações” (couvert); no carabineiro do Algarve, massa fresca e cogumelos; no bacalhau e feijão bragançano; no pombo-torcaz com estufado do mesmo; no café, chocolate e caramelo, que é a última tentação. Com produtos de alta qualidade, técnica culinária primorosa e criatividade a toda a prova, o G é um restaurante em Grande. Garrafeira muito sugestiva, até na promoção que faz dos vinhos de Trás-os-Montes. Serviço eficiente e simpático.

Do restaurante avistam-se o castelo e a cidade de Bragança

Do restaurante avistam-se o castelo e a cidade de Bragança

Lucilia Monteiro

G Pousada > R. Estrada do Turismo, Bragança > T. 273 331 493 > seg-dom 19h30-23h > €50 (preço médio)