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Vindimas: Expectativas goradas

Comer e beber

A animação que costuma acompanhar a colheita das uvas falece ao entrar nas vinhas e ao ver como o tempo as castigou. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Conhecido pela ousadia e pela irreverência, o produtor João Tavares de Pina (e senhor de Terras de Tavares, onde nascem vinhos com caráter, Dão puros) mostrou-se brando e contido na legendagem de uma fotografia com belos cachos de uvas da sua lavra: “Num ano como este, imagens destas podem ser uma provocação, uma falta de respeito por quem perdeu tudo”, escreveu na sua página de uma rede social. Há vinhas vindimadas sem que lá tenham entrado os vindimadores. Não havia nada para vindimar. Outras – e não poucas –, onde é preciso ir de cepa em cepa à procura de um cacho de uvas que dê gosto, criado e amadurecido como deve ser. Vinhas intactas são raras. Não restam dúvidas de que o ano é mau em termos de quantidade e de qualidade. Porém, foi sempre assim a vida do agricultor, dependente da Natureza, por mais que se avance no conhecimento e na técnica.

Não vão longe os tempos em que a marcação das vindimas era feita de acordo com a tradição local, muitas vezes ligada a costumes e a crendices, ou com a experiência e/ou a inspiração do dono da vinha. Basta recuar uma ou duas gerações. Hoje, o enólogo – sim, o enólogo, porque essa responsabilidade cabe aos técnicos credenciados – dispõe de meios para acompanhar toda a evolução de maturação das uvas e determinar o momento ideal da vindima, a fim de obter o melhor vinho. Mas a Natureza ainda tem a última palavra. Num ano atípico que favoreceu a propagação do míldio e do oídio com chuvas a destempo, que estorricou as uvas com um inopinado escaldão e que trouxe borrifos indesejáveis na vindima, nada mais resta ao conhecimento e à técnica do que aproveitar o que escapou. Para o ano há mais e, certamente, melhor.

Quinta de Chocapalha Chardonnay 2017
Monovarietal que fermentou em cubas de inox e que ficou em contacto com as borras finas durante seis meses, apresenta aspeto brilhante, cor dourada, aroma fresco e frutado, com um vibrante toque mineral. Paladar com textura, acidez e muito equilíbrio, final prolongado com elegância e frescura. €8,40

Cortes de Cima Sauvignon Blanc 2017
De vinhas cultivadas no Litoral alentejano, com fermentação e estágio de 15% do vinho em barricas de carvalho francês, tem aroma exuberante a espargos, relva, maracujá, groselha e boas notas florais, paladar marcado pela fruta tropical e pela acidez viva mas equilibrada, e um final longo, persistente. €11,30

Santos da Casa Grande Reserva Douro DOC Tinto 2015
Feito com uvas de vinhas velhas, com pisa a pé e estágio de 24 meses em barricas de carvalho francês, tem cor profunda, aroma complexo, com a madeira bem casada com a fruta, paladar volumoso com taninos finos, maduros, suaves e um final longo. €34,90