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No restaurante Porta, em Bragança, é entrar e usufruir do que chega à mesa

Comer e beber

Alta-cozinha em terras transmontanas a aprimorar sabores e a dar outro brilho aos produtos locais. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, acerca do restaurante do chefe André Silva

A vitela e pipoca é um dos atuais pratos da carta, todos com sabores envolventes e apresentação apelativa

A vitela e pipoca é um dos atuais pratos da carta, todos com sabores envolventes e apresentação apelativa

Lucilia Monteiro

Em vez de alta-cozinha, podia chamar--lhe simplesmente contemporânea com técnica evoluída, produtos de qualidade e sentido estético. Podia, mas não daria o devido realce ao facto de o chefe André Silva ter saído do restaurante Casa da Calçada, em Amarante, onde conquistou uma Estrela Michelin, em dois anos seguidos, para abrir um restaurante em Bragança, com o mesmo conceito de fine dining, ou seja, fino, requintado, de categoria. Inaugurado há pouco mais de um ano, num prédio de dois pisos, junto do Mercado Municipal, tem ótimas instalações: em cima, sala principal ampla, cheia de luz natural, com decoração leve e sóbria, talvez para não distrair o olhar da cidade, que se estende ali em frente; em baixo, sala para grupos.

A ementa vem acompanhada por um menu executivo que inclui entrada ou sopa, prato de peixe ou de carne, doce ou fruta, café e petit fours (€19). É semanal, está disponível ao almoço e ao jantar e depende do que o mercado oferece (produtos frescos, muitos dos quais biológicos, de agricultores locais). Na ementa surgem mais quatro menus: de quatro pratos (€55), de sete (€85), vegetariano (quatro pratos, €45) e infantil (€17,50), além do serviço à carta. Todos os pratos, sejam do menu executivo, sejam da ementa propriamente dita, são de alta-cozinha, cujas técnicas tanto permitem respeitar a integridade dos produtos nobres como valorizar outros. Nota-se isso em tudo: no molho, no puré, no ponto do peixe e da carne, no legume bem cozido.

As refeições são para desfrutar, desde a trufa de alheira com castanha (sabores quentes delicadamente irmanados, numa cortesia do chefe, servida sobre uma língua de careto) até ao carabineiro no carvão e à sapateira e espinafres (entradas frias); ao ovo e pipoca (entrada quente, com sabores naturais e suaves); à pescada e lula, ao rodovalho e bivalves, à vitela e pipoca, e ao cachaço de porco bísaro e cenoura, atuais pratos à carta, todos com notável equilíbrio, texturas delicadas, sabores envolventes e apresentação apelativa. Sobremesas de muito bom nível, incorporando sempre, e bem, frutos frescos e/ou secos. Garrafeira interessante, ainda em construção. Serviço muito atento e dedicado.

Inaugurado há pouco mais de um ano, o restaurante está situado num prédio de dois pisos, junto ao Mercado Municipal

Inaugurado há pouco mais de um ano, o restaurante está situado num prédio de dois pisos, junto ao Mercado Municipal

Lucilia Monteiro

Porta > Largo Forte S. João de Deus, 204, Bragança > T. 273 098 516 > ter-sáb 12h30–15h, 19h30–23h > €19 (menu executivo), €40 (preço médio, à carta)