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Branco, tinto ou rosé?

Comer e beber

Ao mercado chegam, todos os dias, novos vinhos que são outros tantos desafios para os enófilos. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Não vão longe os tempos do lançamento dos vinhos no mercado em épocas determinadas, a começar com os brancos, mal chegava a primavera, e a culminar no outono, antecedendo o período das festas – e das vendas – do Natal e Ano Novo, com uma grande revoada que envolvia os topos de gama e os generosos. Mais do que uma regra, era uma tendência que acabava por inculcar a ideia de que os brancos são para o verão (pratos leves, esplanada) e os tintos para o inverno (comidas elaboradas, mesa), gémea daquela que liga o vinho branco ao peixe e o tinto à carne.

Uma das razões pelas quais se relacionam os tintos com o inverno é o seu teor alcoólico, que o frio requer. Mas não faltam vinhos brancos com riqueza alcoólica similar e – mais importante – tão gastronómicos como os tintos, ou até mais. Aproveitem-se, pois, os brancos leves, frutados, aromáticos e frescos para o tempo de calmaria e deliciemo-nos com os mais encorpados, ricos e complexos ao longo de todo o ano. Importante é que os vinhos, sejam brancos sejam tintos, correspondam ao que a comida pede, que o seu peso seja equivalente, que a harmonia reine entre o prato e o copo. Os vinhos com maior riqueza alcoólica não são, só por isso, ideais para acompanhar comidas mais pesadas. Em todos, mas sobretudo nos brancos, é ainda mais importante a acidez bem equilibrada para lhes dar a indispensável frescura. Cada vinho tem o seu momento. É preciso conhecer o vinho para saber quando abrir a garrafa.

Lavradores de Feitoria DOC Douro Rosé 2017
Feito de uvas de uma mistura de castas com predomínio da Touriga Franca, tem cor salmonada, aroma elegante, floral e frutado, com boas notas cítricas e de frutos vermelhos. Paladar fresco com a fruta a evidenciar--se outra vez, final insinuante, quer para aperitivo quer para acompanhar pratos leves. €4


Branco da Gaivosa 2016
Se há quem duvide do potencial do Douro para produzir grandes brancos, renda-se a este vinho feito de uvas das castas Malvasia Fina, Gouveio e Arinto. Muito gastronómico, liga--se perfeitamente com pratos de peixe e de carnes brancas. €9,90


Cortes de Cima Amphora 2015
Um vinho tinto singular, de talha, elaborado com uvas das castas Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional e Syrah, de cor rubi, aroma intenso a frutos vermelhos com notas suaves de terra. Paladar concentrado, cremoso, com taninos redondos, fruta madura e boa estrutura, final afirmativo e guloso. €18,40