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Vinhos do Tejo, muitos e bons

Comer e beber

O mercado conhece e acolhe os vinhos desta região vitivinícola sem, todavia, lhes dar o valor e o destaque que merecem. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

A região corresponde à anterior designação do Ribatejo e estende-se pelas duas margens do grande rio, ao longo de 17 mil hectares, onde se produzem anualmente 650 mil hectolitros de vinho – cerca de 10% do total nacional –, com vários terroirs, três dos quais dominantes e bem diferenciados: o bairro, na margem direita, entre o vale do Tejo e os maciços de Porto de Mós, Candeeiros e Montejunto, com solos argilocalcários, ideal para as castas tintas; o campo, nas planícies muito férteis adjacentes ao rio, propícias para a produção de brancos; e a charneca, a sul do campo, com solos arenosos e medianamente férteis, aptos para tintos e brancos. O perfil da região define-se também, e até com mais clareza, pelas suas seis sub-regiões: Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Tomar e Santarém.

Estes nomes querem dizer Ribatejo, que é uma das mais antigas regiões produtoras de vinho do nosso país. Porém, os seus vinhos não são os mais falados, talvez por só uma pequena parte, pouco mais de um sexto, ser certificada. A venda a granel é o caminho mais fácil quando há grande procura e os preços compensam, até porque se pode, assim, tirar partido da grande produtividade de algumas castas… Mas no Tejo há muitos vinhos e muito bons, de todos os estilos, a preços imbatíveis em relação a outros de categoria similar, que justificam muito mais atenção dos consumidores. Vinhos com identidade própria, porventura não reconhecível facilmente num “perfil Tejo”, mas que se descobre nos múltiplos perfis de vinhos personalizados e nobres produzidos. Os três vinhos que apresentamos são disso exemplo. Melhores preços para tal qualidade são impossíveis.

Casal da Coelheira Private Collection Tinto 2015
Uvas das castas Touriga Nacional e Alicante Bouschet, cor granada intensa, aroma concentrado e complexo, com notas de fruta madura e de especiarias. Paladar elegante e austero com taninos firmes, final longo 
e profundo. Gastronómico. €10

Falcoaria Fernão Pires Vinhas Velhas Branco 2016
Monocasta Fernão Pires de vinhas com mais de 
65 anos, com fermentação e estágio em madeira de carvalho francês. Cor citrina, aroma frutado com notas cítricas e tropicais, e leve tosta da madeira. Paladar elegante, mineral, salino, persuasivo. €15

Falcoaria Colheita Tardia Branco 2014
As uvas das castas Viognier e Fernão Pires foram tocadas pela Botrytis Cinerea e tratadas com mil cuidados, da colheita bago a bago à prensagem, à fermentação do mosto e ao estágio do vinho em madeira. Cor âmbar, aroma intenso a fruta com um toque floral de laranjeira, paladar elegante e excelente acidez. Final persistente marcado pela frescura e pela complexidade. €18