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Sua Excelência, o Alvarinho

Comer e beber

Produtor e enólogo, Anselmo Mendes associa o seu nome a alguns dos melhores vinhos produzidos no País, em especial aos brancos da casta Alvarinho. ​​​​​A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Fechou com chave de ouro a “viagem a Portugal através do vinho”, integrada no VISÃO Fest, com a prova de quatro Alvarinhos do produtor e enólogo Anselmo Mendes: Contacto Alvarinho 2017, Muros de Melgaço 2017, Curtimenta Alvarinho 2015 e Parcela Única 2016. Todos monocastas, todos diferentes, em resultado da seleção das uvas e do processo de vinificação, e todos admiráveis, tendo em conta as suas características.
Anselmo Mendes nasceu em Monção, no seio de uma família ligada ao vinho há muitas gerações. Veio daí a paixão que o levou a estudar no Instituto de Superior de Agronomia, a estagiar na Comissão de Viticultura dos Vinhos Verdes e a colaborar com produtores, não só dos Vinhos Verdes mas também do Douro, Dão, Alentejo e Açores, sendo responsável por alguns dos melhores vinhos destas regiões. Tudo isto sem prejuízo dos seus Alvarinho e Loureiro (Muros Antigos).

O primeiro vinho de Anselmo Mendes foi o Muros de Melgaço, em 1998, de uma vinha de encosta, com fermentação e estágio em madeira, que ele considera, agora, ser o seu vinho “mais afinado”. Em 2008, lançou o Alvarinho Contacto, depois de se ter deixado seduzir pelos terraços fluviais e aluviais do Minho e pela “acidez vibrante que se prolonga, tornando o vinho quase interminável”. Dos estudos que fez sobre o Alvarinho concluiu que, comparativamente a outras castas, como Arinto, Loureiro, Chardonnay, por exemplo, esta “mostra ser uma das melhores do mundo para curtimenta”. Começou os ensaios em 2001, aperfeiçoou a técnica e chegou onde queria em 2015. Nesse ano, decidiu também “começar a estudar 25 parcelas entre Melgaço e Valença (inclusive)”, para detetar diferentes terroirs do Alvarinho, e o resultado foi o Parcela Única que “revela o que de mais puro e original tem a casta” e cujo perfil “é a apologia da elegância e da complexidade”. São vinhos que alegram quem os prova e honram quem os faz.

Contacto Alvarinho 2017
O nome vem do contacto do mosto com os folhelhos ou películas, estagiou por três meses sobre borras finas com bâtonnage. Aspeto límpido, cor pálida de limão, aroma intenso, frutado, com notas cítricas e acentuada mineralidade. Paladar poderoso, final longo. €10,50


Muros de Melgaço Alvarinho 2017
De vinhas expostas a sul com elevada maturação e níveis altos de acidez, tem cor citrina, aroma complexo com notas cítricas e minerais, paladar intenso, fresco. Final longo. €15


Curtimenta Alvarinho 2015
Feito com curtimenta, que lhe dá mais cor e mais taninos, estagiou durante 12 meses em garrafa. Cor dourada, aroma intenso com notas frutadas e sugestões de frutos secos e especiarias, paladar rico com acidez vincada e grande frescura. Final suave e longo. €26


Parcela Única Alvarinho 2016
Aspeto brilhante, cor citrina dourada, aroma concentrado a fruta com notas florais e de especiarias, paladar mineral, com fruta, acidez, madeira em harmonia. Final sedoso, longo, elegante. €31,50