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Adega Mayor: Alentejo Paixão, diz ele

Comer e beber

Depois do café, que lhe deu notoriedade a vários títulos, Rui Nabeiro pensou no vinho e numa adega com o traço de Siza Vieira, para que tudo fosse arte. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Uma visita à Adega Mayor leva-nos por caminhos compridos, Alentejo fora, a descobrir horizontes tão vastos como belos, até ao lugar onde o empresário Rui Nabeiro concretizou o seu último (até agora…) grande projeto com a vinha – a casa que está no meio dela e os vinhos. Tudo obras de arte: a vinha no topo da paisagem do montado de azinho, olival e campos de cultivo, com a serra de Portalegre e as terras de Espanha também à vista; a casa desenhada a branco por Siza Vieira, para não perturbar a harmonia daquele quadro bucólico a que acrescenta, digamos, um ponto de luz; e os vinhos, cujo carácter é moldado pelo solo granítico e pelo clima temperado e pela influência benéfica da serra de Portalegre.

“São as paixões que nos movem, quando criamos”, afirma Rui Nabeiro, a quem foi outorgado o título distintivo de comendador por ter deixado levar-se por elas ao ponto de criar coisas admiráveis, como a Adega Mayor, que o fazem confessar: “Nascidos em Campo Maior e inspirados pelo mundo, em cada vinho engarrafamos parte de nós. Dentro de cada garrafa guardamos o respeito pelo que a terra nos oferece. Renovamos a tradição do vinho alentejano ao atribuir uma nova perspetiva de atenção aos pormenores e à sua dimensão estética, criando vinhos que satisfazem os sentidos. Mostramos mais do que os olhos veem, as mãos tocam, o nariz sente, a boca prova e os ouvidos interpretam.”

Não fomos ao Alentejo, desta vez, porque veio a Adega Mayor ao Visão Fest, na terceira etapa da “viagem a Portugal através do vinho”, e foi excelente, graças à prova dos vinhos abaixo descritos e aos ensinamentos do enólogo Carlos Rodrigues. Porém, Campo Maior ficou no horizonte para a próxima viagem.

Adega Mayor Seleção Branco 2016
De uvas das castas Verdelho, Antão Vaz e Arinto, tem cor citrina, aroma floral e frutado, com notas também citrinas. Paladar fresco com apontamentos tropicais, final suave. Beber só ou a acompanhar aperitivos e pratos leves. €8,99


Reserva do Comendador Branco 2016
Castas brancas Antão Vaz, Verdelho e Viognier num vinho de cor citrina, aroma intenso com notas de fruta madura e alguma baunilha (da barrica). Paladar fresco, final elegante. €17,45


Adega Mayor Touriga Nacional Tinto 2015
Da gama Adega Mayor Monocasta, tem cor rubi profunda, aroma complexo com notas de frutos pretos e um toque floral a violeta. Paladar com volume e frescura, e final longo. Pede pratos condimentados. €13,90


Grande Reserva Pai Chão Tinto 2014
Das castas Alicante Bouschet e Touriga Nacional, tem cor granada, aroma com notas de frutos pretos e de especiarias. Paladar encorpado, boa acidez e final com grande persistência. €39,90