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As boas surpresas dos vinhos José Maria da Fonseca

Comer e beber

Domingos Soares Franco deu a provar quatro vinhos e levou-nos pelos caminhos que a empresa vai abrindo. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Se era festa, tinha de ter vinho, esse velho companheiro da alegria, indispensável nos momentos de celebração. Assim aconteceu no VISÃO Fest com uma “viagem por Portugal” que começou na Península de Setúbal e teve como guia Domingos Soares Franco, representante, com o seu irmão António, da sexta geração da família do fundador da empresa José Maria da Fonseca. O vice-presidente e enólogo principal surpreendeu os participantes – cerca de três dezenas, número máximo para os workshops com provas grátis, a fim de permitir o diálogo – com quatro vinhos distintos, por serem completamente diferentes entre si e por terem todos um nível de qualidade excecional.

O primeiro foi o Verdelho’17, sobre o qual disse Domingos Soares Franco: “Pensava-se, há uns anos, que Verdelho e Verdejo eram a mesma casta, hoje, sabe-se que são diferentes. Assim sendo, e como grande defensor das castas autóctones nacionais, não paro de defender o Verdelho, sem ofender o Verdejo.” Provou- -se o vinho e descobriram-se as razões do enólogo para enaltecer o Verdelho’17: “Está a revelar-se uma colheita extraordinária, talvez melhor do que a lendária de 2011.” O Puro Talha tinto 2015 permitiu a Domingos Soares Franco reivindicar o seu contributo ou, conforme prefere dizer, “o meu trabalho de teimosia desde 1986”, para a reabilitação dos vinhos de talha, de que hoje todos falam. Depois, o DSF Moscatel com Armagnac mostrou “como uma pequena diferença, neste caso a aguardente, pode influenciar o generoso”. Por fim, o Alambre Ice evidencia o que as “tecnologias de ponta” permitem: de um generoso, Moscatel Roxo 2005 com 18% de volume de álcool, fez-se um espumante licoroso com 8,5%, apresentado como vinho de mesa. O mínimo que dele se pode dizer é que é um grande sedutor.

Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2017
Uma só casta, Verdelho, num vinho de cor citrina reluzente, aroma fino a frutos, sobretudo citrinos, e a flores. Paladar muito elegante. Beber a 10/110C, enquanto jovem. €9,90

Puro Talha 2015
Cor vermelha viva, aroma intenso com notas de frutos secos e especiarias. Paladar com boa estrutura, taninos suaves, acidez correta 
e final longo. €35

Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel 
de Setúbal 1998
Seduz com a cor dourada, o aroma com notas de citrinos maduros e apontamentos de frutos secos. Paladar elegante com boa acidez, final muito longo e suave. Adequado para aperitivo, a 100C, ou para sobremesa, a 160C. €24,99

Alambre Ice’05
Tem na base Moscatel Roxo Setúbal 2005 e resultou num espumante licoroso, apresentado como vinho de mesa. Cor âmbar, aroma com notas florais e frutadas, paladar untuoso 
e final muito 
longo. Ideal para 
aperitivo, a 80C. €28