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No restaurante Pombeiro, no Porto, faz-se das tripas devoção

Comer e beber

As tripas à moda do Porto deram-lhe a fama que outros pratos de comida, igualmente caseira, também justificam. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Entre os pratos principais destaca-se a francesinha, numa versão original: com massa folhada, que lhe dá outra graça

Entre os pratos principais destaca-se a francesinha, numa versão original: com massa folhada, que lhe dá outra graça

RUI FARINHA / NFACTOS (EXCLUSIVO PARA VIS\303\203O)

Num regresso ao restaurante Pombeiro, que vai nos 30 anos, na posse da mesma família e sempre fiel à cozinha tradicional portuguesa e regional portuense, reencontramos os pratos emblemáticos: tripas, cozido, vitela assada e cabidela. A localização no Vale Formoso, esquina da Rua Capitão Pombeiro com a Antero de Quental, fora do circuito da moda, não lhe pesa, porque tem clientes certos, incluindo forasteiros, cujas preferências vão para as comidas simples com sabores caseiros. Além da genuinidade da gastronomia regional, o Pombeiro também oferece serviço personalizado e ambiente acolhedor, sendo protagonistas Manuel Pereira Pinto, Fátima e Emília, respetivamente a mulher e a cunhada dele.

Os pratos da ementa fixa e os do dia são diversificados. Para entrada há quatro ou cinco petiscos, como os folhados de alheira ou de queijo, que mudam amiúde para não cansar os frequentadores habituais. Depois, venham as tripas à moda do Porto – prato diário, desde que ganhou o primeiro prémio do Porto Património Mundial, em 2001 –, com tudo o que lhes pertence: das diferentes partes do estômago de vitela com as suas texturas características, até à linguiça, ao salpicão e ao feijão de origem transmontana. Outros pratos diários com grande sucesso são a vitela assada à Baião, da costela mendinha, macia, cheia de sabor, e a francesinha, numa versão original com massa folhada que lhe dá outra graça. Também com massa folhada se fazem o bacalhau à Pombeiro, que é desfiado e envolvido nela, e bife guloso, com patê, bacon e presunto entre a carne e a massa. Saúde-se o regresso do arroz de pato, que andou desaparecido e voltou, para gáudio de muitos clientes, à sexta e ao sábado, dias em que também o cabrito no forno é rei. Uma chamada de atenção, ainda, para a raia à lavrador, que é assada no forno e coberta com broa, e para as açordas de peixe com ovo e espinafres, de polvo e de leitão, pratos novos, apetecíveis, com futuro.

Boa doçaria caseira, com o travesseiro à Pombeiro (ovos, amêndoa e chila) e o pudim do Abade de Priscos em evidência. Garrafeira adequada com um bom vinho da casa produzido no Douro. Serviço eficiente e simpático.

Pombeiro > R. Capitão Pombeiro, 218, Porto > T. 22 509 7446 > seg-sáb 12h-15h30, 19h-23h > €20