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Passado, presente e futuro nos novos vinhos Conceito

Comer e beber

Os vinhos Conceito não param de surpreender, desta vez com a marca Ontem. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Voltamos às histórias que se escondem por detrás dos vinhos, quase sempre bonitas e por vezes tão edificantes que não podem deixar de ser contadas, como esta. Rita Marques é uma enóloga ainda jovem, mas já com um currículo notável, iniciado no Douro, onde fez a primeira vindima, ia o curso a meio, com Jorge Serôdio Borges, e a segunda com Dirk Niepoort, que estão entre os mais conceituados enólogos portugueses. A terceira foi na Califórnia. Depois, estudou em Bordéus com Dubourdieu, referência maior do mundo dos vinhos, e correu o Novo Mundo a fazer estágios e também vinhos. Em 2005, aliada à mãe, criou a empresa familiar Conceito Vinhos, em Cedovim (Foz Coa, Douro Superior), para explorar 83 hectares de vinhas próprias, e da colheita desse ano saíram um tinto e um Porto Vintage surpreendentes. Em 2007, o seu branco deslumbrou, e o Bastardo, estreme, foi a boa novidade do ano. Entretanto, em 2006, lançou a segunda marca, Contraste; em 2010, fez um Alvarinho e um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia e, em 2011, um tinto na África do Sul, a que se seguiram novos vinhos no Douro, dois dos quais de exceção – o branco e o tinto Conceito Único. Todos com a marca indelével do seu talento que se reflete na elegância, na complexidade e no respeito pelo terroir.

Mas eis que há um novo capítulo na história: em parceria com o também enólogo Manuel Sapage e o professor e especialista em vinhos Luís Antunes, Rita Marques acaba de apresentar os vinhos Ontem, de uvas de vinhas muito velhas, aparentemente abandonadas, em Aveloso, aldeia de população envelhecida no concelho de Mêda. O trio juntou-se à população para garantir a continuidade da cultura da vinha e do vinho naquele terroir, e assim foram obtidas 900 garrafas de tinto, da colheita de 2015, e outras 900 de branco, de 2016, que são vinhos de qualidade superior, diferentes, únicos.

Ontem Branco 2016
A mistura de castas autóctones que ocorre na vinha obriga a vindimar em separado as brancas Rabigato, Verdelho, Síria, Dona Branca e Encruzado para se garantir a máxima frescura natural das uvas. O resultado é um vinho com grande acidez e sem correções, muito fresco e personalizado, que encerra em si o segredo das vinhas velhas. Desafio irrecusável para os enófilos. €25

Ontem Tinto 2015
Resulta de uma mistura de castas antigas existentes na vinha, tais como Baga, que predomina, Rufete, João de Santarém, Touriga Franca, Bastardo e Tinta Roriz. A intervenção enológica foi mínima, e o vinho expressa com fidelidade total o seu terroir. Notável equilíbrio entre os seus elementos, prevalecendo no final a enorme frescura e elegância. Gastronómico, insinua-se para a mesa, mas também promete boa evolução na garrafa. €35