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La Rosa: As cervejas que nascem do Douro

Comer e beber

A Quinta de la Rosa tornou-se na primeira quinta do Douro a produzir cervejas artesanais. São duas, para já, mas no final do verão sairá a terceira: uma Stout preta

A Quinta de la Rosa é a primeira quinta do Douro a produzir cerveja artesanal

A Quinta de la Rosa é a primeira quinta do Douro a produzir cerveja artesanal

O que podem ter em comum uma cerveja artesanal e os vinhos do Douro? Muita coisa, diríamos, depois de conhecer (e provar) as novas cervejas artesanais acabadas de lançar no mercado pela centenária Quinta de la Rosa, produtora de vinhos do Douro e Porto.

A inglesa Sophia Bergqvist, gestora da quinta, confessa “gostar de desafios”, daí que, há uns anos, quando o amigo e mestre cervejeiro Richard Naisby (dono da Milton Brewery, situada em Cambridge, Inglaterra) a desafiou a fazer cerveja artesanal, aproveitando as cubas de inox da Quinta de la Rosa, pensou: “Why not?”. Poderia, pensou Sophia, ser uma cerveja feita para servir no Cozinha da Clara, o restaurante da quinta aberto o ano passado. Mas acabou por ser mais do que isso.

Fundamental neste processo, que já dura há uns anos, foi Richard, o tal amigo inglês que vem com frequência ao Porto para jogar cricket, que já produz uma cerveja sout com vinho do Porto vintage: a Markus Aurelius. Ao longo deste tempo, Sophia Bergqvist entregou a pasta da produção da cerveja artesanal ao irmão, Philip Bergqvist, e ao filho mais velho, Kit Weaver, de 24 anos, que teve formação em Cambridge, com Richard Naisby. Depois de alguns percalços – “fazer cerveja não é assim tão fácil como parece”, confessa Sophia Bergqvist – aí estão, finalmente, as duas primeiras cervejas artesanais feitas por uma quinta do Douro: a La Rosa IPA e a La Rosa Lager (ambas custam €3,50). E sem quaisquer preconceitos.

Da esquerda para a direita, o enólogo Jorge Moreira, a gestora da Quinta de la Rosa, Sophia Bergqvist, e o seu filho Kit Weaver

Da esquerda para a direita, o enólogo Jorge Moreira, a gestora da Quinta de la Rosa, Sophia Bergqvist, e o seu filho Kit Weaver

Cervejas feitas por um enólogo

Outra peça fundamental neste projeto de produção foi a participação de Jorge Moreira, enólogo da Quinta de la Rosa e que já leva mais de 20 anos de experiência nos vinhos. Apesar de, no início, ter “resistido à ideia”, acabou também ele por aprender acerca do mundo cervejeiro. “Há um rigor nas mudanças de temperatura nas cervejas que não é fácil. Deu mais trabalho do que estava à espera”, confessa. “Tentámos dar-lhe equilíbrio e elegância. Quando pensamos fazer uma cerveja com a marca de uma quinta com mais de 100 anos, tinha que ter a nossa identidade”, revela.

O terroir do Douro também lá está. Prova disso é o facto de a La Rosa IPA ter adquirido notas de frutos cítricos (como a laranja e o maracujá) e florais, por ter fermentado em barricas de carvalho usadas durante o estágio dos vinhos brancos do La Rosa Reserve. Também a La Rosa Stout, que só estará pronta no final deste verão, será feita com vinho do Porto Quinta de la Rosa vintage.

Apesar das semelhanças que possam existir entre o vinho e a cerveja, há, porém, muitas diferenças. Desde logo, o facto de existir apenas uma vindima por ano para a produção de vinho, enquanto a de cerveja pode ser replicada várias vezes ao longo dos 12 meses. Por outro lado, as cervejas serão melhores quanto mais novas se beberem. “Já com o vinho é o oposto”, enumera o enólogo. Apesar de Jorge Moreira e Sophia Bergqvist verem as cervejas artesanais como um “mercado residual”, é inegável o aumento do interesse por este setor por parte da indústria do vinho. Há poucos dias foi anunciada a compra da Sovina – a primeira cerveja artesanal portuguesa do Porto – pelo grupo Esporão.

A La Rosa chega ao mercado com duas cervejas, a IPA e a Lager. No final deste verão, juntar-se-á uma Stout preta

A La Rosa chega ao mercado com duas cervejas, a IPA e a Lager. No final deste verão, juntar-se-á uma Stout preta

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