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Sentido crítico: Como se define um bom vinho

Comer e beber

Pode alguém dizer de um certo vinho que é o melhor do mundo – de um país, de uma região, de uma casta – sem os provar todos? A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Depois de uma prova de vinhos é frequente ouvir exclamações do género: “é o melhor tinto do Alentejo”, “o melhor branco do Douro” ou “o melhor Alvarinho”. Também há quem não se iniba de proclamar “o melhor vinho do mundo” na sequência de provas ou de concursos com projeção irrelevante. Obviamente, trata-se de meras expressões de entusiasmo ante a prova ou a lembrança de um vinho que vai além das expetativas ou excede os padrões de conhecimento de quem o exalta, quando não de publicidade. Refletem estados de alma ou interesses particulares e não a realidade.

Quem tem um gosto especial pelo vinho, seja o enófilo que se lhe dedica por prazer, seja o enólogo que junta ao prazer razões de profissão, quer sempre provar mais, experimentar novas sensações, aumentar o conhecimento, desenvolver o sentido crítico, evoluir. Não lhe basta gostar de um vinho fácil, quer descobrir os mistérios dos vinhos com grande complexidade, delicadeza e discrição.

Vem isto a propósito de três vinhos recém-chegados ao mercado e merecedores, cada qual pelas suas razões, do maior interesse: Soalheiro Allo Alvarinho e Loureiro 2017, que vem de uvas das duas castas referidas na marca, as mais nobres da Região dos Vinhos Verdes e prevalecentes no Alto Minho, e que resulta leve, fresco, vibrante, cheio de fruta; Quinta da Leda Douro Tinto 2015, de qualidade superior, rico e complexo, que resume toda a complexidade do Douro, na linha dos grandes vinhos da Casa Ferreirinha; e Taylor’s Vintage 2009, um clássico que goza de enorme prestígio a nível nacional e internacional, poderoso, complexo, elegante, com enorme longevidade.

Soalheiro Allo Alvarinho Loureiro 2017

Exclusivamente de uvas das castas Alvarinho e Loureiro, tem cor amarela citrina, aroma fino com as notas de frutos tropicais típicas da primeira e as florais próprias da segunda, e um vibrante toque mineral, paladar elegante, fresco, equilibrado. Tão bom para aperitivo como para acompanhar mariscos, peixes, carnes de aves. €6

Quinta da Leda Douro DOC Tinto 2015

Produzido com as castas Touriga Franca (50%), Touriga Nacional (20%), Tinta Roriz (15%) e Tinto Cão (15%), tem cor rubi profunda, aroma complexo com notas de frutos pretos, balsâmicas e de madeira bem integrada, paladar volumoso com taninos finos, acidez impressiva e fruta em perfeita harmonia, final elegante e longo. Ideal com queijos e bons pratos de carne e de caça. €40

Taylor's Vintage 2009

Eis por que a marca tem prestígio único: um vinho poderoso, de cor quase preta com auréola púrpura; aroma puro e complexo a frutos pretos e vermelhos com delicadas notas florais e um toque mineral; paladar intenso, elegante, com a força dos taninos a envolver a fruta madura, num equilíbrio subtil. Beber só, em boa companhia, apreciando a sua riqueza de sabores, ou com frutos secos, ou com queijos intensos. €80