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Refeições acima da muralha Fernandina no novo Porter, em Lisboa

Comer e beber

Comida com um toque muito caseiro e cheia de sabor no novo Porter, o restaurante do Corpo Santo Hotel, no Cais do Sodré, em Lisboa

O restaurante vai buscar o nome a um tipo de cerveja inglesa chamada Porter, em tudo idêntica à nossa cerveja preta, que se produzia no Cais do Sodré no século XVIII

O restaurante vai buscar o nome a um tipo de cerveja inglesa chamada Porter, em tudo idêntica à nossa cerveja preta, que se produzia no Cais do Sodré no século XVIII

Quem passa na Rua do Arsenal, em Lisboa, tem a melhor perspetiva para dentro do Porter. Em cima, no restaurante, as pessoas sentadas à mesa, num ambiente tão descontraído como requintado. Em baixo, à vista de todos, os 33 metros de muralha Fernandina descoberta durante as obras (continuando dois terços ainda escondida), que transformou o piso –1 numa espécie de museu.

Vamos a um pequeno exercício de imaginação. No século XVIII, neste mesmo Cais do Sodré, sinónimo da atual movida da cidade, o rio Tejo chegava ao Largo do Corpo Santo. Ali produzia-
se um tipo de cerveja inglesa chamada Porter, em tudo idêntica à nossa cerveja preta, e que serviu de inspiração para batizar o restaurante do Corpo Santo Hotel. Uma sala só, com diferentes ambientes e todos bastante informais, com uma carta a funcionar, em contínuo, das sete da manhã à uma e meia da madrugada. Sim, isso mesmo, 18 horas e meia a servir refeições. Do pequeno-almoço, a snacks e cocktails, sem esquecer a ceia, antes ou depois de rumar à Rua Nova do Carvalho, cada vez menos cor-de-rosa.

No restaurante do Corpo Santo Hotel, o luxo sente-se em pormenores como o lombo de novilho dos Açores servido com foie gras e puré de batata. Sendo o prato mais caro da ementa (€16), pode servir de referência para o resto da refeição

No restaurante do Corpo Santo Hotel, o luxo sente-se em pormenores como o lombo de novilho dos Açores servido com foie gras e puré de batata. Sendo o prato mais caro da ementa (€16), pode servir de referência para o resto da refeição

Divulgação

O corredor principal do hotel desemboca na sala ampla do Porter, também com entrada independente pela Rua do Arsenal, onde antes havia uma mercearia com uma banca de frutas e legumes memorável. Bons tempos. O ambiente simples e informal, com a cozinha à vista e lugares ao balcão, sente-se logo no atendimento. Estamos no restaurante de um hotel de cinco estrelas, mas parece que estamos em casa.

A ideia de partilhar pratos é aprovada pela equipa do restaurante, apta a dar sugestões, incluindo da carta com 43 vinhos, todos servidos a copo, e na qual constam quatro biológicos e algumas garrafas magnum (1,5l). Comecemos então por um carpaccio de novilho, um creme de sardinha caseiro tão bem apaladado e uns gulosos croquetes de presunto, que se comem uns atrás dos outros. O trabalho que dão a fazer − com o caldo dos ossos do presunto, ao lume entre 24 a 36 horas, até ficar uma pasta −, reflete-se, sem dúvida, no sabor. A sopa de peixe é quase rica, com generosos pedaços de raia, garoupa e camarão. E se pensarmos que o lombo de novilho dos Açores com foie gras (€16) é o prato mais caro deste restaurante de hotel de luxo, então o Porter passará a fazer parte das opções dos lisboetas, e não só.

No bar é possível pedir um cocktail personalizado

No bar é possível pedir um cocktail personalizado

Porter > R. do Corpo Santo, 25, Lisboa > T. 21 828 8000, 21 827 2537 > seg-dom 7h-1h30