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Novos vinhos sobre a mesa neste começo de ano

Comer e beber

Uma confirmação, um regresso e uma novidade a animar o mundo dos vinhos neste começo de ano. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Não é vulgar, mas muitos consumidores já se habituaram a contar com o Soalheiro Clássico para a consoada. Assim aconteceu com a edição 2017, que resultou, aliás, da vindima mais precoce dos últimos 35 anos, facilitando o objetivo de lançar o vinho antes do Natal. Tem muito bom equilíbrio entre a fruta e a acidez, insinuando-se para beber só, ou a acompanhar pratos leves de mariscos, de peixes ou de aves. Confirma-se a capacidade da equipa do Soalheiro para fazer bem e depressa.

Em vésperas de comemorar 50 anos, a Sovibor – Sociedade de Vinhos de Borba, empresa com notável historial no Alentejo, saiu da letargia em que tinha caído há largos anos e apresentou-se com outra equipa de gestão, diferente filosofia, assente “na qualidade e no reposicionamento de todos os vinhos num patamar superior de qualidade e de preço”, e novos vinhos e marcas, com o Mamoré Reserva no topo da gama. A enologia está, agora, a cargo de António Ventura. Há convicção e ambição num regresso à ribalta que se saúda.

A Cortes de Cima, do casal dinamarquês-americano Hans e Carrie Jorgensen, acaba de apresentar uma novidade: Cortes de Cima Dois Terroirs 2014. Este vinho combina uvas do interior e do litoral do Alentejo, ou seja, das vinhas de Cortes de Cima, na Vidigueira, e da Zambujeira Velha, em Vila Nova de Milfontes, ambas pertencentes à empresa, que diz tratar-se de “um lote que conjuga a leveza, a frescura e a tensão da acidez da casta Pinot Noir da Costa Vicentina, com a textura da Aragonez e a riqueza da fruta da Syrah da Vidigueira”. Uma novidade que vale a pena conhecer, mas só recorrendo aos restaurantes e garrafeiras.

Soalheiro Clássico 2017
Elegância aromática e persistência de sabor invulgares, mesmo tendo em conta o caráter floral e frutado da casta Alvarinho. Cor amarela citrina, aroma fino com notas cítricas, tropicais e minerais; sabor intenso, fresco; final elegante e longo. €9,50

Mamoré de Borba Reserva Tinto 2015
Uvas de vinhas velhas das castas Castelão, Alicante Bouschet e Syrah na origem deste vinho concentrado na cor, complexo no aroma com notas de frutos vermelhos, algum mentolado e apontamentos de chocolate negro e eucalipto, paladar fresco e vivo com taninos finos bem presentes e um final longo e persistente. €32,50

Cortes de Cima Dois Terroirs 2014
Uvas das castas Aragonez, com 50%, Syrah e Pinot Noir, de diferentes terroirs, com estágio de 25% do lote em Barricas de carvalho francês, aroma intenso a frutos vermelhos com notas de especiarias, paladar fresco, solto, com a fruta bem presente, e final expressivo e persistente. €7,50