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Taberna Fina, em Lisboa: Jantar às cegas, de olhos bem abertos

Comer e beber

Em Lisboa, André Magalhães passou a porta da sua taberna, deu uns passos até ao Camões e abriu a versão fina do que já nos habituou na Rua das Flores. E a ode aos bons produtos nacionais continua

A Taberna Fina fica no primeiro andar do Hotel Le Consulat, no Largo Camões

A Taberna Fina fica no primeiro andar do Hotel Le Consulat, no Largo Camões

D.R.

Primeiro reserva-se e avisa-se acerca de alguma intolerância alimentar. Depois, vai-se às cegas, com a garantia de confiança de André Magalhães, o chefe à frente da mítica Taberna da Rua das Flores, em Lisboa. Esta, onde agora serve jantares degustação, fica a dois minutos de distância, no primeiro andar do Hotel Le Consulat, e diz-se fina. Não tarda nada, abrirá também aos almoços com menus do tipo executivo.

São apenas 24 lugares para os aventureiros que arriscam sentar-se nas mesas de tampo de mármore, onde pousam diretamente os talheres, os copos e os guardanapos. Só nessa altura recebem um papel com um resumo, muito resumidinho, do que vão comer. De pouco servirá escrever aqui que podem calhar em sorte uns cogumelos com gema de ovo biológico e sésamo, porque isso só será verdade se os fornecedores com quem o chefe se relaciona lhe trouxerem uns bons exemplares de fungos. Sim, porque ele continua a apostar na qualidade dos produtos nacionais, nascidos em terrenos de pequena escala, embora aqui eles sejam tratados com outra técnica e maior criatividade. “Trata-se de um exercício de estilo. Se na Taberna sirvo uma batata de Valpaços com pele e iscas, aqui vou dar-lhe outra vestimenta”, explica, enquanto tenta esmiuçar as diferenças entre um sítio e o outro, como se elas não fossem evidentes, a começar logo no adjetivo escolhido para classificar esta taberna.

D.R.

Dinâmico, definido pela sazonalidade – hoje uns salmonetes com batata-doce, amanhã um polvo com mandioca. A sobremesa de abóbora e dióspiro não podia ser mais da época. Dito assim até aparece aborrecida, só que na verdade são muitas as variações sobre este fruto outonal. É por isso que um jantar na Taberna Fina pode demorar até duas horas. Depois das explicações à mesa, há que saborear cada momento com toda a calma.

Enquanto a comida vem e não vem, haverá tempo para contemplar as paredes onde estão as fotografias impressionantes de uma artista argentina que já expôs na galeria do hotel, aberta no verão passado. A um canto, uma antiga garrafeira atira-nos outra vez para o ambiente de taberna, só para nos baralhar.

D.R.

O menu degustação custa 56 euros e muda constantemente. Mas será sempre composto de três snacks, um amuse-bouche, o momento do pão, uma entrada, um prato de peixe e outro de carne, uma pré-sobremesa e a sobremesa. A harmonização de vinhos fica por 22 euros.

Taberna Fina > Hotel Le Consulat > Pç. Luís de Camões, 22, Lisboa > T. 93 859 6429 > ter-sáb 19h30-24h