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Sabores do Minho (e não só) no restaurante Torres, em Vila Verde

Comer e beber

Cozinha de base minhota, com alguma inovação, num restaurante informal e muito agradável. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Torres, no lugar da Bouça, Ponte de S. Vicente, perto de Vila Verde

A ementa 
do Torres privilegia 
os produtos 
da região 
e aposta na qualidade, com peixes e mariscos frescos, carnes certificadas barrosã 
e minhota, 
e cabrito 
do monte

A ementa 
do Torres privilegia 
os produtos 
da região 
e aposta na qualidade, com peixes e mariscos frescos, carnes certificadas barrosã 
e minhota, 
e cabrito 
do monte

Marco da cozinha regional, que vem do final da década de 60 do século passado, este restaurante deve o nome e a fama ao casal Maria Augusta e António Torres, cujos descendentes souberam honrar a herança familiar, preservando a qualidade da gastronomia, modernizando as instalações e estendendo a sua influência a mais três estabelecimentos em terras do Minho: o Pórtico e o Augusta, em Braga, e o Torres, em Famalicão. Aqui, onde tudo começou, no lugar da Bouça, Ponte de S. Vicente, para as bandas do Gerês, a cinco quilómetros de Vila Verde, encontram-se duas salas acolhedoras, garrafeira, aquário, cozinha, salões para eventos, jardim e esplanada com ambiente familiar e gastronomia tradicional. Mas não rejeita a inovação e é capaz de surpreender. Dá preferência aos produtos da região, na sua época, e aposta na qualidade, com peixes e mariscos frescos, carnes certificadas barrosã e minhota, e cabrito do monte.

A ementa é extensa, distinguindo-se algumas especialidades sazonais, como as papas de sarrabulho, que podem ser entrada ou prato principal, neste caso a acompanhar rojões, e o cozido à portuguesa, que é faustoso, ambos de outubro a abril; a lampreia em arroz, à bordalesa ou assada no forno, esta por encomenda, e o sável de escabeche (simples, para entrada; guarnecido com batatas cozidas, para prato principal), ou frito com açorda de ovas ou arroz de grelos, de janeiro a maio; e a caça, com perdiz, tordos e coelho, na época. Há outras especialidades que são permanentes, como o bacalhau à Torres, que lembra o Zé do Pipo em versão mais cuidada; o crocante de rodovalho com arroz de grelos e os filetes de pescada fresca com arroz de tomate, em combinações clássicas do peixe da costa com os populares arrozinhos; o arroz de cabidela, com o molho aveludado e a carne firme de autêntico “pica-no-chão”; o cabrito assado com batatas e arroz de forno (com os miúdos do chibinho); as carnes certificadas na costeleta, no rosbife e assadas no forno a lenha (nispo, acém, aba e outras partes menos nobres, mas não menos saborosas).

Doçaria muito boa e variada, que vai das musses, do leite-creme e do pudim Abade de Priscos tradicionais a gulodices inovadoras, como o crocante de requeijão com doce de abóbora, a trouxa cremosa ou o travesseiro do Abade (inspirado no célebre pudim). Boa carta de vinhos, todos a copo (1/4 do preço da garrafa), exceto Barca Velha e Pêra-Manca. Serviço eficiente e simpático

Torres > Lugar da Bouça, Ponte de S. Vicente, Vila Verde > T. 253 361 619, 91 471 1278 e 91 490 9531 > sex-qua 12h-16h, 19h-23h > €25 (preço médio)