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No Refeitório do senhor Abel, em Lisboa, a poesia cola-se às pizzas, carpaccios e cocktails

Comer e beber

Quem vai ao novo restaurante de Chakall em Lisboa não o faz só pela comida, que é simples mas saborosa. No Refeitório do senhor Abel, em Marvila, há muita história para descobrir por trás das portas de ferro que lhe servem de entrada

Uma instalação decora a sala principal do Refeitório do senhor Abel, o novo restaurante e bar do chefe de cozinha Chakall, em Marvila

Uma instalação decora a sala principal do Refeitório do senhor Abel, o novo restaurante e bar do chefe de cozinha Chakall, em Marvila

WSA.PT

Olhos postos no teto. Não será coisa que se escreva a abrir um texto sobre um novo restaurante, mas aqui faz sentido, garantimos, porque é em cima das nossas cabeças que pode ler-se a pertinente prosa de Álvaro de Campos: “Feliz o homem que dorme sono, que come comida, que bebe bebida e por isso tem alegria.” E daí em diante, encontramos Fernando Pessoa em vários recantos deste antigo refeitório da Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca. Aliás, o bar que lhe faz vizinhança, e que fica no que antes foi uma taberna no edifício classificado em Marvila, chama-se heterónimo BAAR (as iniciais dos quatro alter egos do escritor). Este enquadramento poético ao novo dois-em-um do chefe Chakall faz todo o sentido, quando se sabe que Pessoa era frequentador assíduo das lojas que este empreendedor do início do século XX.

Não há cozinha neste refeitório, mas as pizzas, bruschetas e focaccias que saem do forno a lenha, e mais os carpaccios e saladas, compõem muito bem a ementa

Não há cozinha neste refeitório, mas as pizzas, bruschetas e focaccias que saem do forno a lenha, e mais os carpaccios e saladas, compõem muito bem a ementa

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Sentamo-nos à mesa numa pequena sala que faz a ligação entre o bar e o restaurante. E os livros pairam por aqui, como se estivéssemos numa biblioteca, cercados por letras. Da nossa cadeira de madeira, do tipo refeitório, vê-se bem a enorme instalação da sala principal, que representa uma árvore. Assim que os carpaccios chegam à mesa, a atenção centra-se na comida – o espaço é giro, mas não deve distrair-nos do principal. Que saia então um copinho de vinho branco da pipa, para acompanhar as seis sugestões de carpaccio – não existe cozinha e por isso serve-se, exclusivamente, comida crua (búfalas, burratas, carpaccios e saladas), focaccias, bruschetas ou pizzas, que saem da sabedoria premiada de Roberto Mezzepelle (entre outras coisas, é campeão europeu de pizza acrobática). São 20 as variedades que constam da lista e elas podem ser feitas com outras massas. Por mais três euros, pede-se uma Margherita (€7,50) com sete cereais, massa preta de carvão, de gengibre ou cânhamo. Se o pedido for feito com antecedência, avisam-nos na lista, servem-se pizzas gluten free, de farinha de milho, arroz e trigo serraceno. Diz quem sabe que as sobremesas, tipicamente italianas, também são de provar. Mas nós preferimos rematar com um shot de limoncello (€3), que já tem açúcar que chegue.

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Refeitório do senhor Abel > Pç. David Leandro da Silva, 4-6, Lisboa > T. 21 868 8023 > ter-sáb 12h-15h, 19h-24h, dom 12h-15h