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JNcQUOI: Modelo de bom gosto

Comer e beber

Mais do que luxo, há elegância, conforto e qualidade neste restaurante que veio para agradar. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o JNcQUOI, em Lisboa

A traça do edifício, que tem história, conjuga-se com a modernidade da decoração, a elegância do ambiente e a categoria da cozinha

A traça do edifício, que tem história, conjuga-se com a modernidade da decoração, a elegância do ambiente e a categoria da cozinha

António Bernardo

Seis meses bastaram para que o restaurante JNcQUOI se revelasse um dos espaços mais atrativos de Lisboa, onde a traça do edifício, que tem história, se conjuga com a modernidade da decoração, a elegância do ambiente e a categoria da cozinha. O luxo de que se fala está sobretudo aqui, na cozinha: na qualidade exemplar dos produtos, na combinação dos ingredientes, na técnica culinária e na harmonia dos sabores. O projeto da empresária Paula Amorim era, precisamente, associar às lojas de moda da marca Fashion Clinic, que já tem, um restaurante de luxo com base portuguesa e alguns clássicos internacionais, segundo o conceito de Comfort food. Por isso, lá estão os “nossos” arrozes servidos em tachos de cobre ao lado do foie gras, do ceviche, do eisbein e do rosbife, por exemplo. O chefe de cozinha português António Bóia concretizou esse desejo com eficácia e talento.

O restaurante ocupa o piso térreo do prédio do antigo cinema Tivoli, ao correr do passeio da Avenida da Liberdade. Tem uma sala cheia de luz, de conforto e de charme, com a cozinha à vista. Em baixo, o DeliBar é outro espaço amplo e luminoso, com balcão e garrafeira imponentes, destinado a refeições mais rápidas e leves, das simples gambas salteadas com alho e do pica-pau ao porco preto com amêijoas (versão refinada da carne de porco à alentejana) e ao hot dog de lavagante (criação do chefe). Mas podem ser pedidos no bar os pratos do restaurante e vice-versa.

Ementa sugestiva e fiel ao conceito de comida de conforto. A qualidade dos produtos, a confeção correta e o toque de modernidade comedida sobressaem logo nas entradas com o caranguejo do Alasca, o camarão morno (com alho a perfumar, à portuguesa), o presunto Maldonado, a burrata, o ceviche de robalo com lima, a tortilha com tartufo e outros mimos gustativos.

Nos pratos principais, o primeiro destaque vai para a paletilha com arroz de forno: a carne limpa, macia e suculenta, o arroz (sempre carolino) com aroma e sabor intensos. Outra distinção obrigatória é para o piano de entrecosto: só carne, bem confitada e delicadamente caramelizada, com um gostoso guisado de favas com chouriço. O carré de borrego e o tornedó de novilho, nos clássicos, e a costeleta de vitela e as plumas de porco ibérico, nos tradicionais, também se recomendam.

Nos pratos de pescado também não faltam boas sugestões, como o clássico linguado meunière, devidamente despinhado, só filete; a lagosta gratinada com molho Mornay (bechamel e queijo); o bacalhau fresco (corado em azeite e alho) com grão-de-bico e tomate; e o imperdível arroz de lavagante e garoupa, malandrinho, delicado, de sabor natural.

A seleção de queijos nacionais e internacionais é excecional. Sobremesas fora do comum, resultantes da conjugação dos produtos Ladurée (outra loja anexa de Paula Amorim) e da arte do chefe pasteleiro Joaquim Sousa. Grande, grande garrafeira. Serviço simpático, mas nem sempre atento, o que é pena.

António Bernardo

JNcQUOI > Av. da Liberdade, 182, Lisboa > T. 21 936 9900 > seg-qua 12h-24h, qui-dom 12h-2h (jantar com dois turnos, o primeiro até às 21h; reserva nos fins-de-semana) > €70 restaurante; €35 bar (preços médios)