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Tasca do Montinho: Sensações fortes

Comer e beber

Uma incursão na paisagem alentejana e uma visita à cozinha regional na sua expressão genuína. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Tasca do Montinho, em Alcórrego, no concelho de Avis

Acolhedora, a sala de refeições da Tasca do Montinho tem decoração e mobiliário rústicos, atoalhados de pano, cores suaves

Acolhedora, a sala de refeições da Tasca do Montinho tem decoração e mobiliário rústicos, atoalhados de pano, cores suaves

Em viagem pelo Alentejo, e passando por terras de Avis, é inevitável seguir o caminho de Santo António de Alcórrego e tomar assento à mesa de um dos melhores restaurantes da região, apesar da modéstia do nome, Tasca do Montinho, e do afastamento do lugar, perdido no campo. A recompensa vem da cozinha, onde a dona da casa, Maria José, prepara petiscos e pratos regionais, incluindo caça, com sensibilidade e bom gosto.

O restaurante encontra-se à beira da estrada, numa casa típica de aldeia alentejana, de piso térreo, paredes brancas e barra amarela. À entrada vê-se o bar com um pequeno telheiro e ambiente convidativo para petiscar e conversar, havendo tempo; separada por um corta-vento, a sala de refeições tem decoração e mobiliário rústicos, atoalhados de pano, cores suaves, sendo igualmente acolhedora.

A ementa não é extensa, mas tem maior oferta do que parece, porque, aos seis ou sete pratos diários, quatro dos quais fixos, podem acrescentar-se outros, por encomenda, como sucede com a caça. Para entrada há sempre bons torresmos, cogumelos salteados, ovos de codorniz, queijo alentejano, paio de “porco preto” e, a pedido, farinheira com espargos, ou frita, ou assada, que é um regalo.

Depois, há iguarias incontornáveis, como a sopa de tomate com ovo escalfado, que pode ser entrada ou prato principal, acrescentando-lhe outro ovo; a sopa de cação, com a carne branca do peixe e o perfume dos coentros a tentarem o paladar e a vista; a açorda de bacalhau alentejana (caldo rescendente com ovo batido e coentros, de um lado; posta de bacalhau, ovo cozido e pão, do outro, para se juntarem no prato fundo); as migas de espargos com carne de porco frita, de sabor intenso e bom; as costeletinhas de borrego panadas, grelhadas ou fritas, a pedirem as migas para acompanhamento (de coentros, espargos, tomate ou miolos, todas com textura e sabor aliciantes); o galo de cabidela (carne que se mastiga e tem sabor, arroz com a cozedura e o tempero certos); o borrego assado, ao domingo, prato festivo; e os tais permanentes: filetes de peixe-galo com arroz de tomate, arroz de pato, vitela assada e carnes de “porco preto” grelhadas (secretos, lagartos, plumas, vão variando) com migas de espargos, todos saborosos, bem feitos e bem servidos.

A doçaria está numa vitrina que nos prende os olhos à sericá, à encharcada de noz, ao fidalgo, ao arroz-doce e ao leite-creme, entre outros. Garrafeira quase exclusivamente do Alentejo com dois ou três (bons) vinhos locais a copo. Serviço simpático.

Tasca do Montinho > R. do Comércio, 1, Alcórrego, Avis > T. 242 412 954 > ter-dom 12h-15h, 19h-22h > €20 (preço médio)