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Dona Júlia: Sabores minhotos

Comer e beber

Ao restaurante Dona Júlia, no concelho de Braga, ia-se pela comida e pela paisagem. Esta foi consumida pelo fogo, mas a cozinha regional continua a ser muito atrativa. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

O cabrito no forno com batatas e grelos é um dos pratos preferidos dos clientes do restaurante Dona Júlia, que tem uma carta extensa

O cabrito no forno com batatas e grelos é um dos pratos preferidos dos clientes do restaurante Dona Júlia, que tem uma carta extensa

Lucí­lia Monteiro

Do cenário natural de grande beleza que era o monte da Falperra, na periferia de Braga, restam cinzas, exceto num pequeno foco de vida em torno do antigo convento, onde está o restaurante Dona Júlia. Chegou a constar que também tinha sido consumido pelas chamas, num dos violentos incêndios recentes, mas não. E, passados os dias de sobressalto, já retomou o seu ritmo, sob a batuta dos irmãos Júlia e Manuel, ela na cozinha e ele na sala. Perdeu-se a paisagem, que a natureza se encarregará de recompor, mas não os bons sabores da cozinha, que bastam para nos levar pela rampa da Falperra acima, até à curva do restaurante.

A carta é extensa, destacando-se, nas entradas, petiscos tradicionais como as petingas fritas, as pataniscas, as moelas e as alheiras, outros menos comuns, como o revolto de cogumelos e o queijo de cabra com frutos vermelhos em massa folhada, todos apetitosos. Nos pratos principais, há dois que nunca faltam e que justificam a preferência dos clientes com a qualidade dos produtos e a virtude dos sabores: polvo panado com arroz de feijão vermelho e grelos, macio o polvo, gostoso o arroz, e cabrito no forno com batatas e grelos, um assado soberbo.

Outros pratos certos e seguros são os grelhados, quer de peixe, sempre do dia, fresco e nobre, com o robalo, a dourada, a garoupa, o cherne ou outros, quer de carne, que é de qualidade, em especial a maturada – “costeletão” e “entrecôte” – , que foi introduzida na carta há cerca de um ano com o sucesso que a sua suculência justifica.

Mas há mais, desde a carta do dia com pratos escolhidos em função dos ingredientes frescos da ocasião e da época, até às especialidades regionais com dia fixo que são a massa à lavrador, o arroz de pica no chão (cabidela), a vitela assada, a feijoada com mão de vaca, o cabrito assado no forno e o bacalhau com puré (à Zé do Pipo), de terça-feira a domingo, respetivamente (também há cozido, à quinta-feira, mas só no inverno e depois de chegar o frio).

Na sala de cima bom sushi/sashimi. Boa e diversificada doçaria, de que são exemplos o leite-creme, o pudim Abade de Priscos, o bolo de chocolate e o tiramisu. Muito boa garrafeira com serviço interessante de vinho a copo. Serviço muito eficiente e simpático.

Dona Júlia > Via da Falperra (EN 309), Braga > T. 253 270 826/ 91 385 8044 > ter-sáb 12h30-15h, 19h30-22h30, dom 12h30-15h > €35 (preço médio)