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11 restaurantes, em Lisboa e no Porto, que nos trazem os sabores do Médio Oriente

Comer e beber

A cultura gastronómica de países como Irão, Síria, Líbano, Israel e Turquia é cada vez mais forte em Lisboa e no Porto. Roteiro dos novos restaurantes que nos trazem os sabores do Médio Oriente, onde os pratos são quase sempre para partilhar e, nos ingredientes, abundam as lentilhas, as romãs, as beringelas, a menta e o pistácio

 “Mais do que um restaurante, o Mezze será a segunda casa e o ganha-pão de uma família refugiada da Síria, que chegou a Portugal há cerca de dois anos, fugida da guerra”, acreditam

“Mais do que um restaurante, o Mezze será a segunda casa e o ganha-pão de uma família refugiada da Síria, que chegou a Portugal há cerca de dois anos, fugida da guerra”, acreditam

Marcos Borga

1. Mezze (Síria)

À mesa do novo restaurante do Mercado de Arroios, batizado com a palavra árabe para “petisco” ou “entrada”, uma família de refugiados sírios partilha a sua cozinha e a sua cultura com quem a recebeu. “Mais do que um restaurante, o Mezze será a segunda casa e o ganha-pão de uma família refugiada da Síria, que chegou a Portugal há cerca de dois anos, fugida da guerra”, explica a jornalista Francisca Gorjão Henriques, que, em 2016, fundou a Associação Pão a Pão com Rita Melo, Nuno Mesquita e Alaa Alhariri. Às mesas, hão de chegar pratos do Médio Oriente, como o baba ganoush, feito com puré de beringela assada com tahini, xarope de romã e especiarias e o húmus de pasta de grão cozido com tahini (creme de sésamo). Ou, ainda, o kebseh, arroz fumado com pimentos, o meshaw de borrego (espetadas), a sopa de lentilhas e os kibbeh, uns bolinhos fritos de carne de vaca, bulgur e especiarias. A carne halal de borrego e frango será a única a ser usada no Mezze, respeitando o processo de matança de acordo com o ritual islâmico. São cinco os menus (€11 a €15), compostos por quatro pratos cada um, sempre acompanhados por fatias de khubz (pão sírio). “Se uma mesa não tiver pão, não está completa. É o mais importante na refeição“, diz o jovem Rafat, filho da cozinheira Fátima, a quem cabe a tarefa de servir às mesas e de traduzir os pedidos, de português para árabe, para a cozinha. Com ajuda, é sempre mais fácil.

Mercado de Arroios > R. Ângela Pinto, 22, Lisboa > T. 21 249 4788 > ter-sáb 12h-24h

Katayef kachta (€3,50), doce libanês composto por um pequeno crepe recheado com um creme especial, confecionado com natas, leite, pistácio e doce de laranja

Katayef kachta (€3,50), doce libanês composto por um pequeno crepe recheado com um creme especial, confecionado com natas, leite, pistácio e doce de laranja

Mário João

2. Fenícios (Líbano)

Mais do que uma cozinheira de mão-cheia, Najat El Dib, 63 anos, é uma mulher de coração cheio, ou não tivesse uma nova razão para nunca mais sair de Portugal. Alice, a sua primeira neta, nasceu há dois meses e tem nacionalidade portuguesa. Foi no fim de 2009 que a família El Dib abriu o Fenícios, arriscando deixar para trás 24 anos num restaurante de cozinha tradicional portuguesa, na Baixa lisboeta. Essa experiência valeu a Najat a sabedoria de trabalhar os ingredientes libaneses como se fossem nossos. Najat acompanha-nos num almoço que começa com o tradicional húmos, de uma leveza incrível. A seguir, uma especialidade que ultrapassa o topo da escala dos sabores. O kafta khoush khash meshwi (€8,50) junta carne de vaca picada e grelhada com as picantes batatas harra, mais um arroz de passas e um tempero especial, partilhado com mais receitas. Por agora, Najat anda a magicar a melhor forma de apresentar novos pratos nos dois restaurantes – entretanto, abriu o Fenícios Castilho, com jantares no rés do chão e entradas e snacks no terraço. A aposta será sobretudo em pratos de peixe e vegetarianos, para usar ainda mais beringela, curgete, batata, verduras e lentilhas, além de querer trazer do Líbano um trigo específico, maior do que o usado para o kibbé e o tabbouleh, mas mais versátil.

R. do Conde de Redondo, 141 A, Lisboa > T. 21 244 8703 > seg-sáb 12h-15h30, 19h-24h > R. Castilho, 14 C, Lisboa > T. 93 211 1111 > restaurante seg-sáb 19h-23h, terraço seg-sáb 17h-2h

Mário João

3. Rose (Irão)

Neste restaurante tradicional iraniano há pratos associados ao Médio Oriente, como o kebab, por exemplo, mas confecionados de maneira totalmente diferente da dos outros países vizinhos – a carne é marinada em óleo, cebola, alho, açafrão iraniano e umas ervas do Irão, fazem as vezes da nossa salsa e coentros. Só não têm kebab de peixe, que no Irão é um prato bastante caro. Os típicos ensopados servidos com fruta, sejam de vitela, borrego, peixe ou frango, também são preparados a preceito por Kavien, dono do Rose. Avesso a contar a sua história, saiu de Teerão e chegou a Lisboa, há quatro anos. Desde 2016 que vai aprimorando as suas receitas de pernil de borrego marinado em cebola e açafrão ou de frango com ervas, habitualmente servidas em dias de celebração. Às terças e quintas ao almoço, prepara um buffet (€8,90) onde pode conhecer-se melhor a gastronomia persa.

Av. Duque de Loulé, 22, Lisboa > T. 91 663 4634 > seg-sáb 12h-15h30, 18h-23h

“Nasci em Tantura, uma vila piscatória que fica a uma hora de Telaviv”, conta Elad Bodenstein, proprietário do restaurante com o mesmo nome, aberto em meados de julho no Bairro Alto, em Lisboa, juntamente com o conterrâneo Itamar Eliyahuo

“Nasci em Tantura, uma vila piscatória que fica a uma hora de Telaviv”, conta Elad Bodenstein, proprietário do restaurante com o mesmo nome, aberto em meados de julho no Bairro Alto, em Lisboa, juntamente com o conterrâneo Itamar Eliyahuo

Mário João

4. Tantura (Israel)

Quando se entra no novo restaurante Tantura, no Bairro Alto, apetece-nos circular, antes de escolher uma mesa, para espreitar os cinco desenhos expostos na parede. Ali estão representadas as receitas mais conhecidas da cozinha israelita, que mistura influências de vários países, como Tunísia, Polónia ou Iraque: as burekas (massa cozida dos Balcãs), o tabbouleh (prato vegetariano), o húmus (pasta de grão), o shakshuka (ovos escalfados num molho de tomate, pimentos e cebola) e o falafel (comida tradicional do Médio Oriente). “Nasci em Tantura, uma vila piscatória que fica a uma hora de Telaviv”, conta Elad Bodenstein, proprietário do restaurante, aberto em meados de julho, juntamente com o conterrâneo Itamar Eliyahuo. Já com a ementa nas mãos, espreitem-se os petiscos, como a kruvit fumada (€3,80), uma sugestão feita com couve-flor fumada com molho tahini, ou a beterraba em vinagre balsâmico (€3,50). Contam-se cinco variedades de pita (o pão é feito no forno a lenha que se vê por detrás do balcão), onde se destaca a de falafel, recheada com pasta de húmus, falafel, salada israelita, repolho e molho tahini (€5,50). A refeição pode prosseguir com os shakshuka, acompanhados por pão de cerveja. “É um prato que comemos a qualquer hora do dia, desde o pequeno-almoço ao jantar”, explica Elad Bodenstein. Para terminar a refeição, experimente-se a Malabi (€4), pudim de leite com açúcar, água de rosas com topping de amêndoas e coco e syrup framboesas, uma sobremesa que vai mesmo bem com o café de sabor português.

R. da Trombeta, 1D, Lisboa > T. 21 809 6035 > ter-qui 12h-15h, 18h30-24h, sex-sáb até 2h

Na carta do Bom Sucesso Gourmet, o restaurante do Hotel da Música, no Porto, há uma francesinha kosher, feita com ingredientes permitidos pelas leis judaicas

Na carta do Bom Sucesso Gourmet, o restaurante do Hotel da Música, no Porto, há uma francesinha kosher, feita com ingredientes permitidos pelas leis judaicas

Lucília Monteiro

5. Porto Kosher Store (Israel)

A mercearia, aberta no final de 2016, só com produtos certificados Kosher, foi mais um passo da política de atração dos turistas judaicos por parte do Hotel da Música, no Porto. Ali, encontram pão matzo (ázimo), tehina (a pasta utilizada no húmus), sumo de uva, vinho e muito mais. Ao almoço, têm ainda um menu simples, com sopas e sanduíches. Já no restaurante do hotel, o Bom Sucesso Gourmet, existe uma cozinha distinta, com alimentos devidamente certificados e confeção fiscalizada por mashguiach (um supervisor judeu). A gastronomia portuguesa não ficou de fora, exibindo-se na carta uma francesinha kosher (€10), com ingredientes permitidos pelas leis judaicas.

Hotel da Música > Mercado do Bom Sucesso, Lg. Ferreira Lapa, Porto > T. 22 607 6000 > loja 10h-19h, restaurante dom-qui 12h-23h, sex-sáb 12h-24h

O trio de pastas (€6,50) do Sabores do Sebouh varia entre húmus (de grão de bico), mouhamara (de nozes), moutabol (de beringela) e lebneh (de iogurte e menta)

O trio de pastas (€6,50) do Sabores do Sebouh varia entre húmus (de grão de bico), mouhamara (de nozes), moutabol (de beringela) e lebneh (de iogurte e menta)

Lucília Monteiro

6. Sabores do Sebouh (Síria)

Quando se embrenha nos tachos e panelas, Sebouh Soghmahian recorda-se dos cuidados da mãe com os cozinhados. “Há coisas de que nunca te esqueces”, diz o sírio, de 48 anos, que saiu de Aleppo em 1996, em busca de melhores condições de vida. Na Grécia conheceu a mulher portuguesa e foi com ela que se mudou para o Porto, em 2003. Ser cozinheiro foi uma vocação tardia, estimulada pela abertura do restaurante, no final de 2010. Uma casa simples, mas respeitadora das técnicas e dos sabores originais do Médio Oriente. “Não quis adaptar a cozinha ao gosto português”, sublinha Sebouh. Muitas foram as conversas mantidas ao telefone, com a mãe e os amigos, trocando receitas. Na carta, existem especialidades de origem síria, mas também libanesa, turca e grega, na sua maioria vegetarianas (exceção feita ao kebab e aos pratos de carne confecionados por encomenda). Entre os mais apreciados pelos clientes, conta-se o falafel, a batata Janet, o húmus ou a sopa de lentilhas. A alimentar, também, as saudades de Sebouh.

R. Miguel Bombarda, 34, Porto > T. 93 344 6790 > seg-qui 12h-15h30, 20h-22h30, sex 12h-15h30, 20h-23h, sáb 13h-16h, 20h-23h

Nos dois pisos e na esplanada do Dervixe, em Lisboa, pode beber-se o verdadeiro chá e café da Turquia

Nos dois pisos e na esplanada do Dervixe, em Lisboa, pode beber-se o verdadeiro chá e café da Turquia

Rita Chantre

7. Dervixe (Turquia)

Na base do “acho que”, na redação tínhamos a sensação de que o único restaurante turco de Lisboa, aberto há seis anos, tinha fechado. Pusemos pés a caminho até à Avenida 24 de Julho, batemos à porta e estava aberto. Aliás, nunca fechou. Por razões de saúde, Murat Taspinar, a viver há dez anos no nosso país, já não consegue deslocar- -se ao restaurante, mas deposita a confiança no gerente nepalês Madan Limlou. A decoração mantém-se e o menu também, sem alterações, com os típicos pratos de falafel (€3, croquetes de grão), gozleme (€3, crepe de queijo) e os kebab de carne de vaca (a partir de €8), seja em almôndegas (kofte), espetadas ou pizza (pide). Nos dois pisos e na esplanada, pode beber-se o verdadeiro chá e café da Turquia e fumar narguilé (entre €5 e €10, cachimbo de água com diversos sabores). Só é pena não haver um espetáculo de dervixes, os tradicionais dançarinos rodopiantes.

Av. 24 de Julho, 84 A, Lisboa > T. 21 809 5031 > ter-dom 11h-15h, 19h-23h

“A gastronomia libanesa é simples, saudável e adapta-se bem aos diversos paladares. O mais importante é partilhar”, descreve o proprietário do Muito Bey, Ezzat Ellaz

“A gastronomia libanesa é simples, saudável e adapta-se bem aos diversos paladares. O mais importante é partilhar”, descreve o proprietário do Muito Bey, Ezzat Ellaz

José Caria

8. Muito Bey (Líbano)

A completar um ano, no restaurante libanês do Cais do Sodré, o pão, as lentilhas, a romã e o grão, muito usados na cozinha libanesa, unem-se aos sabores bem portugueses do bacalhau e do polvo. O pão manuché, caseiro e achatado, chega à mesa ainda a fumegar. Mais do que um complemento, o pão substitui muitas vezes os talheres por aqui. “A gastronomia libanesa é simples, saudável e adapta-se bem aos diversos paladares. O mais importante é partilhar”, descreve o proprietário Ezzat Ellaz, nascido em Beirute há 32 anos, que contou com a ajuda do chefe argelino Mokrane Kahlal e da consultora Barbara Massaad, apresentadora de televisão, fotógrafa e autora de vários livros de culinária (ver caixa). Entre os ingredientes mais usados, destaca-se o grão do húmus (€6,50), a pasta com tahini (sementes de gergelim); a lentilha, da sopa chorbite adasse, feita com legumes da época (€3,50); e a romã, a fruta mais popular na ementa, pode provar-se, em molho, no mezze quente saudit djej, feito com fígado de galinha (€7,50). Sahtein, então, bom apetite.

R. da Moeda, 4A, Lisboa > T. 93 515 7503 > seg-qui 12h-15h, 19h-24h, sex-sáb até 1h

Na ementa da Eritreia, o prato principal é uma degustação de várias carnes (galinha e vaca) e cremes (cenoura, lentilhas...). Tudo vai à mesa sobre um pão muito fininho chamado engera

Na ementa da Eritreia, o prato principal é uma degustação de várias carnes (galinha e vaca) e cremes (cenoura, lentilhas...). Tudo vai à mesa sobre um pão muito fininho chamado engera

Nuno Fox

9. Marhaba (Eritreia e Síria)

O Marhaba ainda não é propriamente um restaurante, há de vir a sê-lo, se tudo correr bem (vai correr). Trata-se de um projeto de ajuda a um grupo de refugiados que, com o apoio da associação Crescer e da Câmara Municipal de Lisboa, tenta refazer a vida em Portugal. Por enquanto, organizam refeições especiais para empresas (têm tido muitos pedidos, nos últimos tempos), cuidam dos almoços de sexta-feira da associação Renovar a Mouraria e, uma vez por mês (quase sempre no último domingo do mês), servem um brunch na Casa Independente. A ementa ora é da Eritreia ora é da Síria; os chefes amadores – quase, quase, profissionais (vai correr tudo bem) – asseguram a confeção dos vários pratos, o chefe encartado Nuno Bergonse (ex-Pedro e o Lobo, ex-Duplex) certifica-se que os trabalhos seguem a bom ritmo e dá uma ajuda nos temperos e nos aprovisionamentos. “Não ponho a mão na panela”, disse ele num almoço a que a VISÃO Se7e assistiu. Pelo meio, uns e outros trocam experiências e culturas, no semi-inglês possível, ou não fosse a mesa o lugar onde meio mundo se encontra. Nos aventais dos cozinheiros eritreus e sírios, está escrito Marhaba, o nome que os próprios escolheram para o seu projeto de vida. Em árabe, tem o significado do nosso “sejam bem-vindos”. You too. S.B.L.

Associação Renovar a Mouraria > Beco do Rosendo, 8, Lisboa > T. 21 888 5203 > todas as sextas-feiras ao almoço 12h30-15h > €8 (sem bebidas) > Casa Independente > Largo do Intendente, Lisboa > T. 21 887 2842 > brunch no último domingo de cada vez 12h-16h > €15

Shakshuka (€10), Húmus Falafel (€9) e Salada Tabula (€6) são alguns dos pratos mais vistosos do israelita Bola Falabel

Shakshuka (€10), Húmus Falafel (€9) e Salada Tabula (€6) são alguns dos pratos mais vistosos do israelita Bola Falabel

Lucília Monteiro

10. Bola Falafel (Israel)

Como leigos na matéria, perguntámos a um membro da comunidade judaica no Porto, cliente do restaurante, até que ponto os pratos provados no Bola Falafel se mantinham fiéis à gastronomia israelita. “A comida é exatamente igual à que encontramos em Israel”, assegura Hugo Vaz. Não por acaso, a sinagoga do Porto fica muito próxima, embora aqui as portas estejam abertas a todos os credos. Shlomo e Nativ Dadon, pai e filho, judeus de origem sefardita, mudaram-se para o Porto há poucos meses, acreditando nas oportunidades proporcionadas pelo crescente turismo da cidade, calma e tolerante. Shlomo trabalhou como cozinheiro do Exército israelita durante 30 anos e é ele quem confeciona os pratos, todos vegetarianos. A lista é relativamente pequena, com quatro especialidades servidas em pão pita (caseirinho, feito diariamente), cinco de húmus (€9) e duas de shakshuka (com húmus, molho de tomate e ovo escalfado, €10), além de saladas e cuscuz. O restaurante exibe certificado Kosher, ou seja, o rabino assegura o respeito pela lei religiosa judaica, quer na confeção quer na proibição de certos alimentos. Ouve-se música israelita e apreciam-se fotos do país natal de Nativ Dadon, “para que os clientes se sintam como se estivessem em Israel”.

Av. da Boavista, 719, Porto > T. 22 600 0289 > dom-qui 11h-22h, sex 11h-16h

A iraniana Pooneh Niakian abriu o Cafe Tehran em Lisboa, onde serve alguns pratos da cozinha do seu país natal

A iraniana Pooneh Niakian abriu o Cafe Tehran em Lisboa, onde serve alguns pratos da cozinha do seu país natal

Mário João

11. Cafeh Tehran (Irão)

Desde pequena que a iraniana Pooneh Niakian gosta de cozinhar. Agora, aos 27 anos, realiza um sonho antigo e abre o restaurante Cafeh Tehran, onde, em duas salas decoradas com peças que trouxe de casa, serve alguns pratos da cozinha do seu país natal. Já na mesa, a cesta com pão barberi (€1,80). Trata-se de uma das especialidades do Médio Oriente, é feita com farinha de trigo e pode ser acompanhada com pesto de cenoura e tomate seco e com o molho zaatar. A opção asheh reshteh, uma sopa rica em cereais, é servida com cebola e menta caramelizada. De seguida, a iguaria kookoo sabzi (€5,30), uma fritata de ervas aromáticas de iogurte de pepino e funcho, usada nos piqueniques iranianos. Para terminar, aconselha-se ainda o kashkel bademjan (€7,90), que integra um dos ingredientes mais apreciados no Irão: a beringela. Para acompanhar, um copo de sekanjhebeen, um refresco de menta e pepino (€2,10).

Pç. das Flores, 40, Lisboa > T. 21 073 6530 > qua-seg 12h-24h

E ainda...

Uma sopa é só uma sopa?

Um livro que é também uma campanha humanitária pelos refugiados da Síria

Uma sopa não é só uma sopa, é o conforto dos mais frágeis e debilitados, um aconchego para o corpo e para o espírito também. E este Sopa para a Síria (Casa das Letras, 208 págs., €19,90) tão-pouco é só um livro, é um manifesto, uma pequenina campanha humanitária, a maneira encontrada pela fotógrafa e apresentadora de televisão libanesa Barbara Abdeni Massaad de ajudar as famílias sírias que se amontoavam num campo de refugiados no Vale de Beca, a 45 minutos da sua casa, em Beirute. O livro, que tem como subtítulo Receitas para Celebrar a Partilha, reúne receitas de sopas de mais de 80 chefes (alguns portugueses) e autores de livros de cozinha. O dinheiro proveniente da venda servirá para comprar alimentos para os refugiados. De certa maneira, é ainda um livro de reportagem, com os rostos maravilhosos dos homens, das mulheres e das crianças (muitas, como é possível?) que Barbara não quis esquecer. Ela própria o explica: “Quando visitei os refugiados sírios no Líbano, disse-lhes: ‘Se fosse cabeleireira, cortava-vos o cabelo de graça. Como sou autora de livros de culinária e fotógrafa, vou fazer o que posso para ajudar com o meu trabalho.” E o pouco – uma sopa, um corte de cabelo... – pode saber a tanto. S.B.L.