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O restaurante Chic do Rego, em Lisboa, continua simples e bom

Comer e beber

Cozinha portuguesa na sua expressão popular sem artifícios, com bons produtos, rica de sabores. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Chic do Rego, em Lisboa

A ementa segue o modelo comum dos restaurantes populares com alguns petiscos para entrada, e, nos pratos principais, especialidades de agrado quase geral e bem justificado pela sua qualidade

A ementa segue o modelo comum dos restaurantes populares com alguns petiscos para entrada, e, nos pratos principais, especialidades de agrado quase geral e bem justificado pela sua qualidade

José Carlos Carvalho

Foi remodelado no princípio do ano e agora, além do nome, também o ar tem o seu quê de chique, por fora e por dentro, com a cozinha, as salas e os lavabos mais bonitos e confortáveis. Mas o pequeno restaurante encostado à via férrea, junto do apeadeiro do Rego, continua discreto, com ambiente descontraído e cozinha despretensiosa. No balcão de serviço, à entrada, a montra do peixe ostenta exemplares das espécies usuais com a frescura de sempre; nas salas, sobre as mesas, veem-se toalhas novas de pano com papel por cima, ao jeito do costume. O restaurante dos irmãos Júlio e Manuel Amaro é o mesmo, com ambiente familiar e comida simples e muito bem feita por Maria Helena, mulher do Manuel, mas está mais agradável.

A ementa segue o modelo comum dos restaurantes populares com alguns petiscos para entrada, que vão dos salgadinhos, saladinhas e queijinhos (tudo em “inho”, até o pãozinho) às amêijoas. Nos pratos principais há especialidades de agrado quase geral e bem justificado pela sua qualidade, como o arroz de lingueirão (bivalves sempre frescos e de carne consistente, mas não coriácea), que é prato diário, e o cozido à portuguesa (bem fornecido de carnes e enchidos, sobretudo farinheira, que lhe marca o gosto, e com os legumes da praxe), à quarta-feira. Também com dia fixo e clientes fiéis contam-se o bacalhau com grão (posta considerável e bom grão-de-bico), à segunda-feira, e a feijoada à transmontana, à sexta-feira.

Entre os pratos de todos os dias que merecem destaque estão, ainda, os filetes de polvo com arroz do mesmo, a cataplana de garoupa, a posta de carne à mirandesa, a carne de porco à alentejana, os vários bifes (boas carnes) e o peixe do dia para grelhar. Doçaria diversificada, não faltando os tradicionais leite-creme e arroz-doce. Garrafeira adequada à comida com vinho da casa (da Península de Setúbal e do Alentejo) servido em jarro e mais duas referências a copo. Exemplar relação entre qualidade e preço.

José Carlos Carvalho

Chic do Rego > R. Dr. Álvaro de Castro, 23, Lisboa > T. 21 797 3159 > seg-sáb 12h-15h, 19h-22h > €15 (preço médio)