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Mercado em alta: Três brancos personalizados

Comer e beber

Conhecemos as marcas, sabemos das colheitas e quando vamos provar o vinho somos quase sempre surpreendidos. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre três vinhos brancos, recentemente lançados no mercado

Os vinhos portugueses revelam-se cada vez mais sedutores, sejam quais forem os seus estilos ou as regiões de onde provêm. Pode soar a frase feita, mas é isto que se impõe a quem vê chegar ao mercado, todos os dias, vinhos diferentes com identidade própria e com qualidade indiscutível. Três vinhos brancos recentemente lançados ilustram esta realidade: Couquinho Superior Branco 2016, do Douro; Quinta da Bacalhôa Branco 2016, da Península de Setúbal; Procura Branco 2015, do Alentejo.

O Douro, região de um vinho generoso com fama universal, só ganhou expressão nos vinhos tranquilos em finais do século passado, embora o Barca Velha venha dos anos 50 e o Quinta do Côtto Grande Escolha seja uma velha saudade. Mas, quase de repente, mostrou, primeiro com os tintos e depois com brancos, que é possível fazer vinhos diferentes dos fortificados e também da mais alta qualidade com as mesmas uvas, das mesmas castas, nas mesmas vinhas. É tão surpreendente como notável a enorme variedade de vinhos de mesa brancos e tintos hoje existentes no Douro.

Na Península de Setúbal, o Bacalhôa tinto tornou-se um ícone, pela diferença da casta e do perfil, e pela constância da qualidade, quase invariável, ano após ano. Vai no mesmo caminho o Quinta da Bacalhôa Branco, recente, mas já com personalidade bem definida e facilmente reconhecível.

Do Alentejo pode esperar-se tudo, dadas as caraterísticas da região, muito vasta e diversa. Susana Esteban, enóloga com muitos anos de trabalho no Douro, instalou-se em Portalegre e escolheu as vinhas velhas da serra de São Mamede para fazer dois vinhos brancos originais: Aventura, sóbrio, atraente, que alicia ao primeiro contacto; e Procura, complexo, exigente, que primeiro intriga e depois cativa irremediavelmente.

Quinta da Bacalhôa Branco 2016

Este vinho branco já rivaliza com o seu homónimo tinto, muito mais antigo e conhecido - e tanto basta para o qualificar. Cor palha com laivos esverdeados, aroma elegante e complexo com delicadas notas florais e frutadas, paladar suave, profundo, fresco, com muito corpo e notável equilíbrio. Ideal para peixes e aves bem cozinhados ou queijo de Azeitão e similares. €16,99

Procura Branco 2015

Feito de uvas de uma vinha octogenária com mistura de castas, na Serra de São Mamede, distingue-se pela complexidade aromática e pela frescura, que são invulgares, com boas notas de fruta fresca, de flores, de mel e de especiarias, acentuada mineralidade e acidez certa que dá enorme frescura. Uma revelação. €20

Couquinho Superior Branco 2016

Duas castas brancas essenciais no Douro, Viosinho e Rabigato, complementam-se neste vinho elegante, muito bem estruturado. Aspeto brilhante, cor palha, aroma fino e complexo a fruta madura com notas tropicais e balsâmicas e ligeiro toque fumado; paladar cheio e fresco; final intenso e persistente. Boa aptidão gastronómica. €11