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No Armazém do Peixe, na Afurada, cheira a mar, a peixe grelhado e a vento norte

Comer e beber

Em Vila Nova de Gaia, na castiça vila piscatória da Afurada, onde o peixe é rei e senhor, abriu o restaurante Armazém do Peixe. E ali a brasa está sempre acesa

Mais movimentado ao almoço, entre a esplanada e a sala, o Armazém do Peixe senta quase 300 pessoas em simultâneo, mas nem por isso deixa de ter pessoas à porta, ao fim de semana

Mais movimentado ao almoço, entre a esplanada e a sala, o Armazém do Peixe senta quase 300 pessoas em simultâneo, mas nem por isso deixa de ter pessoas à porta, ao fim de semana

Lucília Monteiro

Siga-se a direção da foz do Douro, para lá da Ponte da Arrábida, na marginal de Vila Nova de Gaia, até avistar os pescadores nas rochas ou nos muros junto ao rio. Entre o cais e a colina, num quadriculado quase perfeito de ruas e casas, surge a castiça Afurada. De perfil piscatório e alma irreverente, esta vila espraiada entre o rio e o Atlântico vive ao sabor das conversas entre vizinhas enquanto o peixe vai assar, ali mesmo no passeio, em fogareiros de carvão.

No Armazém do Peixe, o restaurante que abriu em junho num antigo estaleiro reabilitado, junto ao novo Mercado da Afurada, segue-se a mesma prática, deixando à porta o cheiro a mar. Seja na banca do peixe ou na grelha. Lurdes Ferreira é quem assume o comando das operações no exterior, ou seja, cabe-lhe a ela controlar a grelha posta no passeio, à entrada. “A tia Lurdes é a rainha da brasa”, diz Ana Antunes, uma das sócias do Armazém do Peixe. No negócio está também o seu marido, Rodrigo Crespo, “nascido e criado na Afurada”, João e Elisabete Domingues, que já tinham o Kanpai Fusion Sushi, na Douro Marina, em Vila Nova de Gaia. À experiência de restauração anterior juntaram o conhecimento do mar, que lhes vem de família, e abriram este novo restaurante. Apesar de manter a estrutura original no teto, onde ficaram as antigas vigas de madeira, o projeto do arquiteto Miguel Meirinhos rasgou as janelas e trouxe luz para dentro do restaurante. Uma rede e duas boias, oferecidas pelos pescadores, e a típica toalha de xadrez azul e branca compõem a decoração deste lugar de peixe e de mar.

Na carta há peixe, pois claro, grelhado, “sempre fresco e sem muitas invenções”, além de alguns pratos de cozinha (amêijoas à Bulhão Pato, bacalhau com batata a murro, caldeirada de peixe, polvo à lagareiro, arroz de marisco, massada de peixe e açorda, €10 a €30). “Temos sempre peixe do dia, que varia de acordo com o que aparece na lota”, conta Ana Antunes. Por ali passa dourada, salmão, robalo, lulas, sardinhas, entre outros, que chegam à mesa com batata, cozida ou a murro, e salada. Para quem prefere carne, sugerem-se costeletão de vitela e bife da vazia três pimentas. E, para terminar a refeição, há leite-creme, feito com açúcar mascavado e queimado na hora, natas do céu, pudim francês e cheesecake. “Todas as sobremesas são feitas cá”, garantem. Na casa e da casa, bem entendido.

Armazém do Peixe > Lg. Padre Joaquim Araújo, Afurada, Vila Nova de Gaia > T. 91 287 4672 > seg-dom 12h-15h, 19h-23h