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O 'novo' Café Progresso, no Porto: Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Comer e beber

Fez 118 anos o Café Progresso, no Porto, e reabriu renovado, com mais oferta, mas sem esquecer a sua história. As cadeiras antigas, o tijolo burro das paredes, o chão original e o cheirinho a café continuam por lá

O novo Café Progresso vende café, em grão ou moído, torrado numa máquina à vista dos clientes, oriundo da Etiópia, Guatemala, Brasil, Ruanda, Peru e Costa Rica

O novo Café Progresso vende café, em grão ou moído, torrado numa máquina à vista dos clientes, oriundo da Etiópia, Guatemala, Brasil, Ruanda, Peru e Costa Rica

Lucilia Monteiro

Há uma nova vida no Café Progresso, um dos mais antigos do Porto (nascido em 1899), desde que reabriu, renovado, no início de setembro. Mal se atravessa a porta, continua a cheirar a café – agora com uma maior oferta, mas já lá vamos. À primeira vista notam-se novos balcões de madeira e mesas comunitárias, mas mantiveram-se as cadeiras antigas, a parede, 
o tijolo burro e o chão original de outros tempos. 
É preciso “não esquecer o passado”, realçam os novos proprietários, um grupo de sócios liderado pelos empresários Artur Mendes, Pedro Sá Pereira e Diogo Batista. Mas pretende-se, dizem, construir o novo futuro deste café histórico que, em 1968, chegou a receber Américo Tomás, então Presidente da República. “Há que respeitar o tempo para que as pessoas possam assimilar esta mudança”, defende Pedro Sá Pereira.

Na carta, mantém-se o café de saco que deu fama à casa (€0,70), mas apostou-se no café de especialidade (a partir €0,80) que vem, em grão, da Etiópia, Guatemala, Brasil, Ruanda, Peru e Costa Rica, e é torrado numa máquina de torrefação. “O Progresso sempre esteve na vanguarda do café e assim continuará”, assegura Artur Mendes. Por lá ainda se encontram os queques (de maçã, nozes e passas) feitos pela 
D. Odete Rebelo, empregada da casa há 14 anos. Assim como o bolo de iogurte ou de maçã e canela. Mas existem, agora, novas opções saudáveis, criadas pela blogger Joana Alves (Miss Vite), entre sumos naturais, saladas, tostas – como a de pera, nozes e queijo de cabra gratinado (€9), iogurtes caseiros, panquecas doces e salgadas (a partir €4) – e ovos, como 
os benedict com espargos e cogumelos (€6), 
os escalfados com beterraba, cenoura, guacamole 
e coentros, os estrelados ou os revueltos.

Lucília Monteiro

No piso de cima, o pizzaiolo Marcelo Costa prepara focaccias e pizzas em massa tradicional, integral e – a novidade – em massa pinsa, feita com farinha de arroz, soja e trigo, que precisa de 150 horas de maturação (a partir €11). Numa mesa comunitária, serve-se vinho e cervejas artesanais e, em breve, também queijos e enchidos. 
“Há quem primeiro estranhe e depois entranhe”, conta Pedro Sá Pereira quando questionado sobre a opinião dos clientes habituais. É o progresso, dirão.

Café Progresso > R. Ator João Guedes, 5, Porto > T. 22 332 2647 > ter-qui 8h-24h, sex-sáb 8h-01h, dom 9h-23h

Lucília Monteiro