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O Sushic voltou onde já foi feliz, leia-se Almada

Comer e beber

Foram só oito meses de ausência, mas o pessoal da margem sul não perdoa. Durante esse tempo, choveram pedidos para que o restaurante Sushic voltasse a ter um poiso em Almada. Seja feita a vossa vontade...

Couvert com alga nori frita e ceviche
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Couvert com alga nori frita e ceviche

Luís Pato

Usuzukuri sakana de pregado
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Usuzukuri sakana de pregado

Luís Pato

Combinados com muita imaginação
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Combinados com muita imaginação

Luís Pato

Niguiri de barbatana de pregado
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Niguiri de barbatana de pregado

Luís Pato

Ceviche de atum à mexicana
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Ceviche de atum à mexicana

Luís Pato

Isto é um pastel de nata
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Isto é um pastel de nata

Luís Pato

Quem ainda se lembra que o Sushic foi considerado, por uma blogger conceituada, o segundo melhor restaurante japonês fora da sua terra? Nessa altura, ele existia há quatro anos dentro do Lisboa Almada Hotel (atual Mercure Lisboa Almada), mas num ápice avançou Lisboa adentro. Inaugurou um espaço no Mercado de Algés, outro no Palácio Chiado e um sushi and oyster bar no Café Mensagem do Hotel Altis Belém. O seu dono também introduziu os bao, os pãezinhos asiáticos cozidos a vapor com recheios variados, em Portugal.

Há oito meses, o contrato com o hotel de Almada expirou e o Sushic original fechou portas. Depois de muitas reclamações dos clientes da margem sul, Hugo Ribeiro, qual bom filho que à casa torna, reabriu o restaurante no Museu da Cidade. Outro sítio, a mesma irreverência.

Dizemos com convicção que vale a pena atravessar a ponte – e torcer para não se apanhar veraneantes pelo caminho a entupirem o acesso – para uma refeição à base de sushi de fusão e outras surpresas que serão descritas mais à frente. Há 40 lugares dentro (cinco ao balcão) e outros tantos na esplanada, que há de tornar-se mais cosy para as noites frias.

A nossa refeição começa, já tarde, com um couvert asiático (€4) que mata a fome de forma generosa: alga nori frita (qual batata frita sem hidratos), um pingo de ceviche do dia e ar de ponzu, uma soja ligeiramente citríca transformada numa espuma etérea.

Servem-nos uma cerveja artesanal, uma ginger beer não filtrada, leve e agradável, que casa bem com o que estamos a comer. Hugo Ribeiro não esconde o seu arrebatamento pela Sushica, como se irá chamar depois de levar o rótulo da casa: "Estou apaixonado por esta cerveja!"

A Sushica também é a japonesa que está pintada na parede, por trás do balcão, pelo pincel do artista Mike Aymes. Ainda não está terminada, mas é assim mesmo que a coisa se quer – um work in progress. Ou um lugar que funciona como laboratório de experiências, que depois hão de passar para os outros restaurantes do grupo.

Deliciamo-nos então com um dos pratos experimentais, que acabam de sair da cabeça do chefe executivo Pedro Rezende: tempura de caranguejo de casca mole de coentrada. Uma colherada e de imediato nos lembramos da nossa sopa de cação, com o plus de ter aquele crustáceo que se come na íntegra. Também provamos a tempura de legumes e cogumelos shitake em caril amarelo tailandês, mas preferimos a primeira.

Ideias não faltam

Pelo meio do almoço, Hugo Ribeiro vai desfiando as suas ideias para este novo Sushic Almada, porque a sua cabeça não se desliga nem para férias. Há de haver brunches ao domingo (já a partir do próximo dia 13, mas o preço ainda não está fechado), um menu Arte Xávega, baseado no peixe apanhado artesanalmente na região, e jantares mensais monoproduto (o primeiro no final de agosto). Apostamos que o carapau-manteiga, mais pequeno e mais saboroso do que o tradicional, será um dos primeiros. E também estão pensadas algumas atividades extra cozinha, em parceria com o museu, para animar o jardim.

O usuzukuri de pregado (€11,5), ali a meio caminho entre um carpaccio e um sashimi, com broa de milho crocante, também é bastante apreciado. O ar que o acompanha é de porco preto, a remeter para o mar e terra presente na nossa carne de porco à alentejana. Não sei se é por estarmos sugestionados, mas a consistência do peixe até faz lembrar a das amêijoas.

Agora vem o ceviche de atum (€12) e interrogamo-nos o que tem este prato de japonês? Hugo Ribeiro lembra que na verdade tudo se mistura: os japoneses que foram para o Peru levaram para lá o peixe cru e depois importaram para o seu país a forma de mariná-lo com lima e limão.

No capítulo nigiris, experimentamos o de sardinha braseada e pimento e sabe-nos a santos populares. Lá por estarmos fora de época, é sempre bom recordar esse mês festivo. E depois o de barbatana de pregado que, além de ser muito fotogénico, cai mesmo bem, não adorássemos nós este peixe gordo. Até dispensávamos o combinado de sushi que ainda vem para a mesa, e que é raro sair, segundo atesta o chefe Pedro Rezende. Mas já que aqui está, vamos lá provar o sashimi de vieira com rodelas de lima e só vos digo que ainda bem que houve espaço para ele. E também para a sobremesa estrela da casa – o pastel de nata reconstruído. "Saem cem por dia", garante Hugo Ribeiro. E nós não ficamos nada admirados.

Sushic > Av. Henrique Barbeitos, 5A, Almada > ter-sáb 12h-15h, 19h30-23h, dom 12h-15h > brunch 11h-17h