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Cova da Loba, um restaurante de histórias com sabores

Comer e beber

Uma aldeia muito antiga, com um restaurante moderno cuja cozinha tem base tradicional e apresentação contemporânea. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Cova da Loba, em Linhares da Beira

O restaurante abriu há quase sete anos e propunha-se oferecer produtos locais e regionais de qualidade, na altura própria: boleto, tortulho, borrego, cabrito, doce de abóbora, requeijão, etc.

O restaurante abriu há quase sete anos e propunha-se oferecer produtos locais e regionais de qualidade, na altura própria: boleto, tortulho, borrego, cabrito, doce de abóbora, requeijão, etc.

Rui Duarte Silva

Em Linhares da Beira, aldeia histórica da Serra da Estrela, tudo é pedra, desde as ruínas do castelo, coevo da nacionalidade, até ao casario que o envolve e ao próprio chão que se pisa. Mas a rudeza do granito converte-se em elegância e conforto no restaurante Cova da Loba, quase à sombra do castelo, com a pedra afagada no exterior e materiais mais brandos por dentro.

É um espaço acolhedor com decoração sóbria, cadeiras almofadadas, mesas confortáveis, atoalhados dignos e bom serviço de mesa. O nome vem de uma lenda local, evocativa de Santo António, a quem se atribui a conversão de uma figura maligna dos bosques em redor de Linhares, D. Lopa, em loba, à qual impôs a obrigação “de trazer à sua terra os melhores frutos dos bosques das serras”.

O restaurante abriu há quase sete anos e propunha-se oferecer produtos locais e regionais de qualidade, na altura própria: boleto, tortulho, borrego, cabrito, doce de abóbora, requeijão, etc.. Tudo isso se encontra na ementa, que é curta, mas bem estruturada. Para entrada oferece meia dúzia de propostas, metade das quais são permanentes: alheira de caça com compota de cebola, em que sobressai o equilíbrio de sabores; ovos mexidos com farinheira de Linhares, com menos gordura, mais carne e melhor gosto do que é costume; sopa de perdiz com boletos em massa folhada, delicada e rescendente.

Nos pratos principais, os peixes são poucos, mas bons: um bacalhau, que é posta alta do lombo cozida no forno em azeite (confitada) e acompanhada com verdes da época salteados, e um polvo, que é grelhado e servido com migas de chícharos (broa, couve e feijão frade, aqui chamado chícharo), ambos com ingredientes de grande qualidade e apresentação inovadora; as carnes brilham com três grelhados de categoria: cabrito, borrego e lombinho de novilho, cada qual com seu acompanhamento, que é apelativo e foge ao trivial; e com um estufado de bochechas de “porco preto” que, não sendo um prato típico da região, merece estar ali, por ser excelente. Além destes pratos de presença certa há outros sazonais como, agora, o excelente peito de pato com cereja (magret) e, no tempo da caça, o veado e o javali.

Muito boa doçaria, como o arroz-doce, o leite-creme e o folhadinho de requeijão com doce de abóbora. Garrafeira também interessante que privilegia o Douro e disponibiliza dois ou três vinhos a copo de regiões diferentes. Serviço eficiente e simpático.

Folhadinho de requeijão com doce de abóbora

Folhadinho de requeijão com doce de abóbora

Rui Duarte Silva

Cova da Loba > Lg. da Igreja, Linhares da Beira > T. 271 776 119/ 91 422 4533 > sex-ter 12h-15h, 19h-22h, qui 19h-22h > €25 (preço médio)