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'Vignerons': Eles vivem o vinho

Comer e beber

São muitos, estão espalhados pelos quatro cantos do País e cada qual faz o seu vinho, que é o que os une. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre os pequenos vitivinicultores

O tema desta semana é sobre os micro, pequenos e médios vitivinicultores que fazem coisas extraordinárias sem terem a correspondente visibilidade no mercado. Pertence-lhes a iniciativa Simplesmente… Vinho, já com cinco edições. O seu grande dinamizador é João Roseira, da Quinta do Infantado, a quem pedimos um retrato dos vignerons portugueses, como gostam de ser designados, e ele respondeu por escrito com um texto tão redondo que não resistimos a publicá-lo, “com a devida vénia”: “(Vigneron = pessoa que cuida das suas vinhas e uvas, faz o vinho dessas uvas, e, depois do estágio, o seu engarrafamento; em português é o ‘viticultor-engarrafador’, bem menos romântico).

Orgulham-se de fazer vinhos simples e autênticos que respeitam ‘a terra e os terroirs, as vinhas e as uvas, as pessoas e as tradições’. São vignerons. Estão em todo o País, mas não encontram meios nem forma de fazer chegar a todo o País os vinhos que fazem. Poucas coisas no mundo do vinho são mais interessantes do que provar um vinho da mesma parcela, da mesma vinha, de diversos anos. Sentir o clima, o ‘ano’, em cada colheita. Perceber como neste ano mais fraco o vinho é mais ligeiro e já mais bebível enquanto o irmão do ano mais concentrado ainda pede tempo na garrafa. Há também a coragem de assumir riscos acrescidos: uma geada, uma doença na vinha, podem levar à perca de rendimento, não se pode ir ao vizinho ou à freguesia ao lado comprar as uvas que não se colheram.

Nesta época de globalização que vivemos, a que acresce, nos vinhos e na alimentação, a ‘industrialização’ e o ‘fast’, ser vigneron é também um ato cultural. De resistência ao mais fácil e aos fatores de perda de identidade. De preservação do espaço rural, de tradições. Evidentemente, ser vigneron não garante que o vinho nos vai agradar. Ou que é muito bom, ou sequer bom. Garante identidade e, em princípio, autenticidade.”

Tiago Sampaio, Douro
Fez o seu doutoramento em viticultura no Oregon e regressou ao seu Douro para fazer os vinhos com que sonhava e demonstrar o valor das vinhas da família, em Alijó. Da sua pequena adega em Sanfins, saem os vinhos Olho no Pé, Uivo e Renegado. R. António Cândido, 7, Alijó > T. 96 048 7850 > www. foliasdebaco.com

António Madeira, Dão
Francês, lusodescendente, com raízes no sopé da serra da Estrela, onde acredita que se encontra o coração histórico do Dão. A filosofia de vinificação respeita as uvas, a natureza e o enófilo, focando-se na procura da expressão do terroir. Não utiliza produtos enológicos a não ser o sulfuroso. T. 238 316 118 > vinhotibicadas.blogspot.pt > distribuição Niepoort Projectos

Guillaume Leroux, Algarve
Meio francês meio português, é vigneron no Monte da Casteleja, herdado do avô materno, onde plantou castas portuguesas e manteve as tradições. Cultivo biológico desde 2008, respeito pelas uvas na adega. Monte da Casteleja, Paúl, Sargaçal, Lagos > T. 282 798 408 > www.montedacasteleja.com