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Ammar, um restaurante bom e bonito, que merece aplauso

Comer e beber

O espaço é moderno e a cozinha também, mas estão ligados ao passado por traços e sabores facilmente reconhecíveis. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Ammar, em Leça da Palmeira

O Ammar tem duas salas no interior, ligadas por uma escada de madeira, a de baixo aberta para a cozinha e a de cima virada para o mar, e ainda uma sala privada com apenas seis ou sete lugares

O Ammar tem duas salas no interior, ligadas por uma escada de madeira, a de baixo aberta para a cozinha e a de cima virada para o mar, e ainda uma sala privada com apenas seis ou sete lugares

Rui Duarte Silva

Menos de um ano de atividade, que se só completa em fins de julho, e já é uma referência de qualidade, quer pelas instalações, numa moradia restaurada que marca o fim da zona histórica, diante da primeira praia de Leça da Palmeira, com vista para o mar, quer pela gastronomia que, sendo moderna, faz apelo às memórias dos clientes, como restaurante de cozinha emocional que o Ammar quer ser.

Tem duas salas no interior, ligadas por uma escada de madeira, a de baixo aberta para a cozinha e a de cima virada para o mar; uma sala privada com apenas seis ou sete lugares, no interior de uma grande esfera, tão original que não deve ser descrita para guardar a surpresa; e uma esplanada.

A ementa é curta por motivos óbvios: cozinha muito pequena e muito elaborada. Não dá para mais. Saltam à vista as referências a iguarias do restaurante Nova Tendinha, que foi o anterior projeto da jovem Matilde Silva, no Largo do Castelo, como as deliciosas petingas fritas, agora numa versão mais sofisticada, sem o “estendal”, mas no barco e com tostinhas e coulis de frutos vermelhos; os ovos rotos com espargos e cogumelos, também com confeção e apresentação mais elaboradas (servidos em dois tachinhos, mais passados num do que no outro, a desafiar: “vejam como os sabores são diferentes”); o caldoso de marisco, prato rico com lagostins, vieiras, camarão e mexilhão em arroz arbóreo; o polvo algarvio, confitado em azeite e tão macio que se corta à colher, na companhia de batatas a murro; a espetada do mar com camarão de Moçambique (a precisar de nova técnica que permita retirar a casca e preservar a textura e o sabor da carne) e lulas; o magret de pato, renovado, com gnocchi de batata-doce na guarnição; e o american black angus, que vale pela qualidade da carne.

As novidades vão dos raviolli de batata cremosa e porco fumado, entrada leve e de sabor delicado, entre outras, ao peixe do mercado, exclusivamente do mar, corado e acompanhado com linguini feito na casa e molho de aipo; ao bacalhau confitado com favas estufadas; ao rabo de boi num arroz caldoso com cogumelos; e à bochecha de vaca com uma feijoada surpreendente. Há, também, dois pratos de pasta fresca (tagliatelle e bolonhesa), que são simultaneamente vegetarianos.

De terça a sexta-feira, opção de almoço executivo (€12,50). Muito bons produtos, técnica culinária evoluída, grande sentido estético, vontade de inovar e fazer diferente – e bem. Merece aplauso. Boa garrafeira. Serviço muito eficiente e simpático.

A ementa do Ammar é curta por motivos óbvios: cozinha muito pequena e muito elaborada

A ementa do Ammar é curta por motivos óbvios: cozinha muito pequena e muito elaborada

Rui Duarte Silva

Ammar > R. de Fuzelhas, 5, Leça da Palmeira > T. 22 995 8241/ 91 664 4780 > ter-sex12h30-15h, 19h30-23h30, sáb 19h30-23h, dom 12h30-18h (cocktails, snacks e saladas no intervalo e no prolongamento do horário das refeições) > €35 (preço médio)