Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Restaurante Soberba: Quando pecar é sinónimo de orgulho

Comer e beber

Sob o efeito do ambiente religioso que por cá pairou nos últimos tempos, entrámos com algum receio num restaurante com nome de pecado capital. Mas do Soberba, em Lisboa, saímos na paz do Senhor

O chefe de cozinha Igor Martinho aventurou-se agora num restaurante em nome próprio

O chefe de cozinha Igor Martinho aventurou-se agora num restaurante em nome próprio

Antes que nos mandassem rezar um Pai Nosso, pedimos explicações ao chefe de cozinha Igor Martinho, 32 anos, que abriu este Soberba em janeiro. “Tem a ver com o orgulho em receber as pessoas para lhes proporcionar uma refeição sublime, com base em produtos portugueses.” Moral cristã arrumada a um canto, e podemos prosseguir com o que importa – saber como se atinge o tal momento soberbo.

O restaurante quase não deixou marcas do seu antecessor, o Carne Alentejana. Aliás, tudo mudou, do chão ao teto. A ementa continua a estar baseada em carne, sim, e também na grelha que já lá estava. Mas o conceito, essa palavra tão em voga, não é o mesmo. Podemos dizer, roubando a terminologia ao chefe, que se trata de uma cozinha de interpretação de pratos portugueses. Acompanhada por uma garrafeira de vinhos pouco conhecidos, de pequenos produtores nacionais. “Tentámos criar um restaurante descomplicado e confortável.” Dois adjetivos que colam bem a um sítio onde se vai para comer, na paz do Senhor.

Para os mais esquecidos, Igor ganhou o concurso Chefe Cozinheiro do Ano em 2009 e tem vindo a mostrar os seus dotes em vários restaurantes da capital e especialmente no MaeLuísa, um cantinho de autor na sua aldeia, perto de Rio Maior. Agora, deu este passo para um local em nome próprio, no bairro do Rego (“sei que não estou na melhor zona de Lisboa”) e ainda está em afinações.

Na carta encontram-se várias entradas, como um estaladiço de alheira (€5,50), queijo de cabra com morcela de arroz e doce de tomate (€6,50) ou camarões panados com maionese de açafrão e lima (€7,50). Também há pratos de carne e peixe, mas a grelha é que brilha. Para as brasas pode ir um filete de robalo (€13), polvo (€14), lombo e bacalhau (€13,50) ou carabineiros (€22). A carne está em exposição numa vitrina e a da vazia e o entrecôte são maturados durante 30 dias (300 gramas custam €17,50).

Aposta-se igualmente no porco preto, com lombos e secretos (€13,50). A estes preços deve-se somar o dos acompanhamentos que vão muito além da batata frita (€2,50). Pode escolher-se de entre um mesculum de batata doce (€3), legumes salteados (€2,50) ou feijão preto com chouriço (€3,50), só para citar alguns dos mais apetitosos. Com pecados destes, quem teme o inferno?

Ao almoço é possível aproveitar o menu executivo, a 12,50 euros. Na mesa, há azeitonas galegas marinadas e pão. A seguir, pede-se a entrada do dia, peixe ou carne na grelha (ou prato do dia), sobremesa e café. Haja apetite.

Uma cozinha de interpretação de pratos portugueses, é assim que Igor Martinho descreve a sua ementa

Uma cozinha de interpretação de pratos portugueses, é assim que Igor Martinho descreve a sua ementa

Soberba > R. da Beneficência, 229D, Lisboa > T. 21 796 1200 > seg-sex 12h-15h,19h-22h30 sáb 12h-15h,19h-23h