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Vinhos do Douro: Dádivas da natureza

Comer e beber

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O vinho é, sem dúvida, uma das mais perfeitas criações conjuntas da natureza e do homem. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre a região do Douro, com três exemplos acabados de chegar ao mercado

Encontramos em todo o território português manchas de vinhedos a decorar a paisagem. Às vezes são grandes, a perder de vista, como as que se estendem nas charnecas e planícies do Ribatejo e do Alentejo ou as que rendilham as encostas do Douro; outras são retalhos com as mais diversas dimensões, dispersos e associados a outras culturas, como se vê do Minho ao Algarve e dos Açores à Madeira.

A distribuição geográfica da vinha não foi sempre a mesma e nem sempre coincidiu com a melhor aptidão do lugar para o seu cultivo (veja-se o que aconteceu a sul do Tejo, onde havia, no século XIX, a maior vinha do mundo, que teve de ceder à política dos cereais), mas quis a natureza que, em certas regiões, só a produção de vinhos fizesse sentido. O Douro é o exemplo mais feliz, com o êxito sem par do Vinho do Porto a demonstrar que o destino daquele território não podia ser outro. A esse sucesso veio juntar-se, no último meio século, o dos vinhos Douro. São cada vez mais e revelam-se, colheita após colheita, cada vez melhores. A preservação de vinhas velhas e de muitas castas indígenas - que em boa parte resultou, num caso como no outro, do isolamento e do atraso da região, mas a história está cheia destas ironias – aliada às condições particulares de solo e de clima, aos seus terroirs, permite apresentar, em cada ano, vinhos personalizados e distintos. Damos três exemplos, que acabam de chegar, cada qual com seu estilos e seu perfil.

Quinta Nova Unoaked Douro DOC Tinto 2015

Impressiona com a sua intensidade da cor rubi, do aroma exuberante a frutos silvestres com um toque mineral, do paladar fresco com excelente equilíbrio entre todos os elementos, e do final longo, volumoso e rico. Muito jovem, mas pronto para ser bebido ou guardar por meia dúzia de anos. €10,20

Santos da Casa Grande Reserva Douro Tinto 2013

Feito de uvas de vinhas velhas, tem cor granada, aroma concentrado com notas de frutos maduros e de especiarias, paladar intenso com boa estrutura, taninos finos bem presentes, e um perfil longo e persistente. €29,90

Pintas Douro Tinto 2014

É um field blend – uvas de 30 castas indígenas de uma vinha única com mais de 80 anos – muito elegante, de cor púrpura, aroma floral e frutado muito atraente com notas de violeta, de frutos silvestres e de especiarias e paladar impressivo com taninos vivos, maduros e finos, boa acidez, mineralidade e perfeito equilíbrio. €75