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Papa Migas, um restaurante com gosto nacional

Comer e beber

Herdeiro do espaço do Pap’açorda, no Bairro Alto, em Lisboa, o Papa Migas é mais uma aposta na cozinha tradicional portuguesa. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Agora propriedade de Manuel Calçada, o dono da Tasca do Manel e do 1º de Maio, o Papa Migas preservou a decoração dos tempos do Pap'açorda. Na ementa do novo restaurante, destacam-se as sugestões do dia

Agora propriedade de Manuel Calçada, o dono da Tasca do Manel e do 1º de Maio, o Papa Migas preservou a decoração dos tempos do Pap'açorda. Na ementa do novo restaurante, destacam-se as sugestões do dia

Mário João

Quando o restaurante Pap’açorda deixou o Bairro Alto para se instalar na Praça da Ribeira temeu-se que o seu espaço tão caraterístico, herdado de uma antiga taberna e bem preservado, com destaque para o grande balcão de mármore, fosse sacrificado a qualquer projeto mais moderno, lucrativo e na moda. Isso não aconteceu porque os responsáveis do Pap’açorda e da Tasca do Manel – típico restaurante de bairro com ambiente familiar e cozinha portuguesa - chegaram à fala e entenderam-se. Assim, Manuel Calçada acabou por juntar à Tasca e ao 1º. de Maio, outra casa com ar simples e boa comida tradicional que, entretanto, adquirira, o novo restaurante: Papa Migas.

O espaço e a decoração mantêm-se como eram no tempo do Pap’açorda, com o balcão, as duas salas e os lustres enganadores que, vistos da rua, dão uma imagem de luxo contrária à que se vê na ementa, afixada à porta, com sugestões do dia a preços acessíveis (de 11 a 13 euros). A cozinha tem tanto da Tasca do Manel como do 1º. de Maio sendo, talvez, um pouco mais pensada e elaborada.

Na ementa, que é extensa, destacam-se as “sugestões do dia” - seis pratos de peixe e seis de carne que mudam semanalmente e têm preços em conta – e as “especialidades do chefe”. Entre múltiplas opções sugerem-se, para entrada, os pastéis de massa tenra, que são bem servidos de carne e sem excesso de gordura, e os peixinhos da horta, que rivalizam com os do 1º. de Maio.

Nos pratos principais há que ter em conta o robalo com ervas aromáticas, cozinhado no forno com azeite e ervas, e acompanhado com batatas, tomate-cherry e migas (muito simples, só couve, ou grelos, e broa picados com azeite, alho e ervas aromáticas); o bacalhau à minhota, com a posta frita, a cebolada e as tais migas por cima, que são novidade; os filetes de peixe-galo com açorda de berbigão num duo harmonioso; o polvo à lagareiro, macio e gostoso; a perna de borrego com batatas, castanhas e migas; o lombo e os secretos de “porco preto” grelhados com batatas e migas; e a empada de aves com salada e batatas fritas às rodelas.

Doçaria tradicional, com a musse de chocolate e a sericaia, ambas feitas na casa, a merecerem atenção especial. Garrafeira em construção, tendo duas dezenas de referências de brancos, o dobro de tintos e dois ou três vinhos a copo, que vão variando. Serviço atento e simpático.

Boa comida tradicional é o que se serve no novo Papa Migas

Boa comida tradicional é o que se serve no novo Papa Migas

Mário João

Papa Migas > R. da Atalaia, 57-59, Lisboa > T. 21 346 1339/93 375 7286 > seg-sáb 15h-23h30 > €25 (preço médio)