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Grelhados de Alcântara: Simplesmente qualidade

Comer e beber

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Espaço agradável, ambiente descontraído, comida simples e bem feita com produtos de qualidade. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Grelhados de Alcântara, em Lisboa

António Bernardo

Quem vê o ar decadente da zona situada entre a Rua Prior do Crato e a Avenida 24 de Julho, em Alcântara, dificilmente imagina que fervilhou de vida, até ao último quartel do século passado, enquanto ali estiveram importantes instalações industriais da Câmara e do Porto de Lisboa. Com o fim destas atividades, foram anunciados grandes projetos urbanísticos, que estão por concretizar. Mas a vida não acabou nesse resto de Lisboa antiga à espera de futuro. Prova-o o restaurante Grelhados de Alcântara, que tem tudo contra si – escondido numa ruela obscura de acesso difícil e estacionamento impossível –, menos a comida e a simpatia do acolhimento. Instalado, vai para 15 anos, num antigo armazém de mercearias que foi totalmente remodelado, tem uma sala ampla com um arco ornamental (recuperado com bom gosto, que a decoração sóbria confirma) a separar as áreas de fumadores e não fumadores, chão de tijoleira italiana, bons atoalhados, ambiente alegre e descontraído.

A cozinha é tradicional portuguesa, à base de grelhados, com produtos frescos. De segunda a sexta-feira, ao almoço, impõem-se os pratos económicos do menu, dois de peixe e dois de carne, que mudam todos os dias (pão, manteiga, azeitonas, prato, sobremesa, ou sopa, e café, €7,50). Na ementa, predominam os grelhados: bacalhau e polvo à lagareiro, o primeiro de posta alta, a lascar, regado com bom azeite e servido na telha (demora entre 20 e 25 minutos, para grelhar como deve ser), o segundo de carne firme, macia e muito saborosa; naco de vitela, de carne muito tenra; lombo de vitela, de sabor tão delicado que só a vitela de leite pode dar; naco na pedra (para quem gosta de confecionar a carne); secretos de “porco preto”, de grande suculência, e outros.

Alguns pratos têm dia mais ou menos fixo e vale a pena anotá-los na agenda: bacalhau com broa, à sexta (versão original que vai a gratinar com o bacalhau desfiado e disposto em camadas com ovos, espinafres, batatas fritas às rodelas, cebolada e broa); arroz de pato (desfiado e escondido) e pernil de porco (parte menos gorda do joelho), quarta ou quinta-feira. Boa doçaria tradicional, toda feita na casa (exceto “O melhor bolo de chocolate do mundo”), com o leite-creme, a musse de chocolate e, às sextas e sábados, as farófias em destaque. Garrafeira mediana, na gama e no preço. Serviço simpático.

Durante a semana, ao almoço, impõem-se os pratos económicos do menu, que mudam todos os dias: dois de peixe e dois de carne

António Bernardo

Grelhados de Alcântara > R. Gilberto Rola, 10, Lisboa > T. 21 395 8585 e 96 962 1509 > seg-sáb 12h-15h, 19h30-24h > €20 (preço médio)