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O restaurante O Rápido é um cais do bom gosto

Comer e beber

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Viagem ao interior da cozinha portuguesa com produtos de qualidade e sabores únicos que garantem satisfação plena. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante O Rápido, no Porto

O Rápido sempre teve clientes fiéis, que atrai com as melhores carnes e enchidos de Arouca, de Trás-os-Montes e do Minho, os peixes frescos da lota, o bacalhau da seca e outros produtos tradicionais muito bem confecionados por uma grande cozinheira

O Rápido sempre teve clientes fiéis, que atrai com as melhores carnes e enchidos de Arouca, de Trás-os-Montes e do Minho, os peixes frescos da lota, o bacalhau da seca e outros produtos tradicionais muito bem confecionados por uma grande cozinheira

Lucília Monteiro

É um fenómeno de popularidade, sempre cheio, graças ao ambiente castiço e à comida simples e saborosa, que é feita com produtos muito bons, por uma cozinheira de mão cheia e de acordo com o receituário tradicional português. Bem localizado, na baixa do Porto, ao lado da Estação de S. Bento (estacionamento difícil, mas com metro à porta), O Rápido sempre teve clientes fiéis, que atrai com as melhores carnes e enchidos de Arouca, de Trás-os-Montes e do Minho, os peixes frescos da lota, o bacalhau da seca e outros produtos tradicionais muito bem confecionados por uma grande cozinheira.

Naquele pequeno espaço com 42 lugares na sala e quatro no balcão reina a simpatia do anfitrião, Francisco Vieira, além da boa comida. A cozinheira tem 41 anos de casa, mais dez do que o senhor Francisco, o que diz bem do apreço pelo seu trabalho, baseado na tradição. Por exemplo; usa azeite, não óleo; só frita na sertã. Tem mão para o tempero como só os predestinados.

Entre as propostas da ementa sugerimos, para entrada, o presunto, o salpicão, a alheira e as tripas enfarinhadas (bem tostadinhas, deliciosas), cujos sabores indiciam boas origens. Nos pratos principais, que variam pouco, dada a insistência com que são pedidos, distinguem-se os que têm dia fixo, como o bacalhau à espanhola, que é assado com cebola, tomate, pimento, batata e nacos do peixe em camadas, regado com azeite e um toque de vinho branco, à segunda-feira; os filetes de polvo ou de pescada bem fritos, tenros e saborosos, com um excelente arroz seco de polvo a acompanhar, e os rojões de porco preto, à terça; a mão de vitela com ervilhas e o cozido à portuguesa com carnes frescas e fumadas, ricos enchidos e belos legumes num prato opulento, à quarta; tripas à moda do Porto, preparadas na casa, completas, com mão de vitela, presunto, bons enchidos e um toque picante que as coloca entre as melhores da cidade, à quinta; bacalhau à Rápido (que é à moda do Minho, frito, a lascar, com batata às rodelas e cebolada), costela mendinha no forno e cabrito assados no forno, ambos muito macios e saborosos, à sexta; tripas, cabrito, costela e, ainda, arroz de cabidela, que é de estalo, ao sábado. Os filetes, de tão bons, fazem-se todos os dias. Também nunca faltam peixes do dia (faneca, marmota, carapau ou sardinha) fritos com arroz de legumes, nem posta e lombinhos de vitela grelhados com grelos.

Doçaria apelativa, mas sem a autenticidade dos pratos. Garrafeira cada vez mais interessante, virada para o Douro. Serviço muito simpático.

O Rápido tem 42 lugares na sala e quatro no balcão

O Rápido tem 42 lugares na sala e quatro no balcão

Lucília Monteiro

O Rápido > R. da Madeira, 194, Porto > T. 22 205 4847/ 96 652 8924 > seg 12h-15h30, ter-sáb 12h-15h30,19h45-22h > €20 (preço médio)