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No restaurante Alentejo.Come, há aromas e sabores da planície

Comer e beber

Cozinha do Alentejo executada com produtos e segundo receitas da região por uma família que veio de lá para a periferia de Lisboa. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Alentejo.Come, na Amadora

O Alentejo.Come, antigo O Fialho, é um projeto familiar, que começou como cervejaria, há 30 anos, e, a meio do percurso, evoluiu para restaurante

O Alentejo.Come, antigo O Fialho, é um projeto familiar, que começou como cervejaria, há 30 anos, e, a meio do percurso, evoluiu para restaurante

Mário João

Por estes dias, o nome que figura nos toldos e nos cartões do restaurante ainda é: O Fialho. Mas o que está oficialmente registado já é outro: Alentejo.Come. O espaço é o mesmo, o conceito e as pessoas também. Só muda o nome por uma questão menor, se comparada com o que se faz no restaurante: comida alentejana autêntica. É um projeto familiar, que começou como cervejaria, há 30 anos, e, a meio do percurso, evoluiu para restaurante, envolvendo o casal Fernanda e José Manuel Fialho, e o filho Carlos. A mãe cozinha, o pai também, e ainda dá uma mão ao filho, na sala.

Escusado será dizer que é uma cozinha de gosto caseiro, genuinamente alentejano, à base de produtos regionais, como sucede, agora, com as silarcas e os espargos bravos, por exemplo. A sala tem um longo balcão, que é de serviço, decoração discreta e ambiente familiar, pautado pela boa disposição permanente dos anfitriões.

Ao ver as silarcas e os espargos no balcão é inevitável pensar neles para entrada, juntando-lhes ovos mexidos, e assim se fará, se forem pedidos, mas a ementa reserva-lhes outro papel, entre os pratos principais. As sugestões da casa recaem em petiscos como a farinheira e os queijinhos com orégãos.

Depois, sim, aparecem as migas de espargos a acompanhar a carne de alguidar bem frita e com um delicioso toque de pimentão, a par dos lombinhos com pimentão da horta, também fritos, que levam um molho ligado com laranja e fazem um conjunto suculento muito bom; do bacalhau à Brás (que, afinal, revela ser o alentejano bacalhau dourado à moda de Elvas e não o lisboeta à Brás); da sopa de cação, com o sabor e o aroma intenso a coentros (quarta-feira); do ensopado de borrego à pastora, que é uma iguaria divinal, quando bem feito, como aqui (quinta-feira); da canja de pombo bravo, que há sempre, e de outros pratos de caça, que se fazem a pedido ou na época, como o arroz de lebre, a lebre com feijão ou o coelho frito; do cozido de grão (com borrego) e da sopa alentejana (com bacalhau e ovos escalfados), estes por encomenda. Há mais, e tudo bem feito, tudo saboroso.

Doçaria regional com três representantes fixos: sericaia, bolo de requeijão e pudim de mel de Portalegre. Garrafeira quase exclusivamente alentejana com várias opções a copo. Serviço simpático.

Alentejo.Come > R. Sebastião da Gama, 1, Casal de São Brás, Amadora > T. 21 494 2899/ 93 673 8613/ 93 320 6828 > seg, qua-dom 12h-15h, 19h-22h > €20 (preço médio)